sexta-feira, 5 de junho de 2015

FCPorto 2014/2015 - Rescaldo - O rumo (in)definido


Começo esta serie de artigos por uma avaliação ao trabalho da Direcção. A época 2013/2014 foi um desastre! Exigia-se uma resposta clara ao nível da Direcção sob a forma de um novo rumo. Nestes momentos há duas abordagens clássicas. Aumentar o investimento por forma a obter resultados imediatos ou planear um projecto a médio prazo mais estruturante e menos imediato. 

Inicialmente, pensei que nos íamos situar mais perto da segunda opção. Contratámos um treinador por três anos com um perfil de aposta numa reconstrução do plantel com base na juventude, visto que o seu passado como treinador era ligado a nas camadas jovens. Depois vieram as contratações e os rumores de mercado. Parecia que, afinal, o rumo era outro. Estávamos a atacar jovens jogadores por empréstimo ou  jogadores sobrevalorizados por estarem a disputar o Mundial no Brasil. Por um lado, propunhamos-nos a valorizar activos alheios, algo que vai contra o nosso modelo de clube que nos sustentou nos últimos anos. Foram boas aquisições? Óptimas! Conseguimos em Tello, Oliver e Casemiro, três titulares. Mas a época acabou e dois já foram e o outro irá no final do próximo ano. Todos eles a valorizarem-se tirando lugar a outros que ficaram a penar no banco como Quintero, por exemplo.  Por outro lado, estávamos a assediar jogadores caros e já com muito mercado na Europa. Falo de Indi, Brahimi, Aboubakar, Keylor Navas, Classie, Darder, etc. Tudo jogadores que são para apresentar resultados imediatos e para vender com margens bem mais pequenas que as habituais. Sintetizando, por um lado escolhemos um treinador numa lógica a médio prazo com integração de jovens jogadores e por outro temos uma estratégia de construção do plantel para resultados imediatos. Não me parece coerente.

Outra incoerência que detectei foi ao nível das exigências. Lopetegui foi contratado por três anos mas, logo no primeiro, tinha de entrar na Champions fazendo boa figura e lutar para ganhar em todas as competições nacionais. Se assim era, aconselhava-se uma transição menos abrupta entre planteis. O próprio treinador, pouco experiente neste nível, deveria ter temperado o seu ímpeto de revolução. É bem mais fácil trabalhar sobre uma estrutura feita e partir para a promoção de ajustes graduais, do que partir do zero. Sobretudo se nos exigem resultados imediatos! Lopetegui não o fez e a Direcção deu-lhe carta branca para isso. Quase todas as segundas linhas do ano passado saíram e os buracos foram preenchidos por jogadores espanhóis conhecidos do treinador. Pareceu-me deveras imprudente, caro e foi um dos motivos que levaram ao mau arranque. Lopetegui sentiu necessidade de se afirmar como construtor de um plantel sólido e, para isso, resolveu implementar a tal rotatividade que nos roubou pontos e competições.

A época,  na minha opinião foi mal planeada porque se estabeleceu sobre ideias contraditórias. Revolução de plantel raramente resulta em resultados imediatos. Se apostamos na contratação de um treinador para traçar um plano a três anos não podemos abandonar as bases sólidas e as ideias de gestão desportiva que orientaram o nosso clube nestes últimos trinta anos. Neste aspecto desculpo Lopetegui. É inexperiente na construção de um plantel para este nível competitivo. A Direcção é muito mais experiente e deveria ter colocado travão neste ímpeto revolucionário do seu treinador.

O rescaldo será dividido em vários artigos. Continua...

3 comentários:

Lamas disse...

Escreves bem pá... ficamos aguardar o próximo capítulo...

E quanto à próxima época, as minhas expectativas subiram, depois da época de estreia em que existiram coisas que correram bem e outras que nem por isso... é esse histórico que me faz acreditar numa época mais madura e, logicamente, produtiva em termos de títulos...

prata disse...

Pelos visto comseguimos fazer dinheiro com um dos emprestados. Nada mau... PS: não tenho a certeza que isto não fará parte do negócio Danilo...

Anónimo disse...

Num creio... mas já me ocorreu estar o Alex no negócio!
Pra mim o unico grande erro que ele cometeu, foi menosprezar o Sporting, em casa, a eliminar... há outros erros que considero opções: nao aproveitar o bom momento do Helton dp do jogo de Braga... O Reys em Munique; Não ter arriscado mais na Luz;
Mais o momento crucial da época que foi o empate no Nacional dp de o Benfica perder no Rio Ave!!!
e inside information? nada? O Danilo?

Abraço
Taqui