segunda-feira, 26 de maio de 2014

Sete pecados capitais do FCPorto 2013/2014 – A pressão



Não quis abordar grandes questões técnicas e tácticas no post relativo à escolha de Paulo Fonseca. Nesse contexto queria dar alguma ênfase no risco da escolha e não uma avaliação ao trabalho que fez. No entanto, houve um grande retrocesso na nossa forma de jogar que considero inexplicável e que se verificou ao nível da pressão que aplicámos aos nossos adversários na conquista da bola.
Fala-se muito em jogar à FCPorto. Os adversários até vêm com os exemplos que lhes convém como o Bruno Alves, o Paulinho, etc., querendo sobrepôr a violência à agressividade positiva. Eu confesso que começo a tremer quando percebo que o FCPorto não pressiona convenientemente o adversário. Quando não tenta forçar o erro do adversário de uma forma consistente. É logo um sinal de alguma sobranceria, que não me agrada. É tão mais cómodo correr com a bola do que sem ela… É óbvio que temos melhor equipa do que a maior parte dos adversários que defrontamos, mas temos que o provar constantemente. Quando não queremos recuperar a bola rapidamente e em zonas perigosas é logo sinal de que não estamos com aquela vontade de vencer que nos é habitual. E vi muito disso este ano. É também o principal factor que contribuiu para a bipolaridade exibicional que demonstrámos dentro do próprio jogo. 

Por si só, o tempo para pensar que damos aos nossos adversários é nocivo e perigoso. Pode ter a ver com factores anímicos e motivacionais e isso bastaria para termos problemas. Mas houve adicionalmente erros tácticos que potenciaram o fenómeno. Leigo que sou, passarei a explicar o meu ponto de vista. A tão falada utilização do duplo pivot e do Lucho a 10, foi muito discutida em termos de desenho ofensivo, mas eu acho que o problema não se punha tanto aí. O problema  era a distância entre a linha que pressionava a saída do adversário e a que protegia a nossa defesa. Duas linhas quase completamente alheadas uma da outra. Dito assim até parece irreal, mas isto aconteceu muitas vezes e foi dos fenómenos que mais contribuíram para as trapalhadas defensivas que se foram repetindo em jogadores habitualmente serenos e ‘certinhos’. Em suma, ultrapassada a primeira linha tínhamos problemas. Perguntarão se o Paulo não via isto? Viu e, como muitos adeptos, achou que o problema era dos jogadores e não do desenho. Quantas vezes vimos Jackson a desgastar-se a correr atrás da bola pressionando sozinho os dois defesas centrais adversários? Tem lógica? E depois ainda se queixam de ele falhar golos. Defensivamente trabalha muito mas este ano trabalhou mal e por culpa da orientação técnica.

Aceitarei sempre que um treinador desenvolva a equipa de acordo com as suas ideias e de acordo com o que ele acha que são as potencialidades e limitações do plantel. Independentemente disso, não aceito que os adversários pressionem mais do que nós. Que nos forcem mais erros que aqueles que nós provocamos neles. O novo treinador terá de começar por aí o seu trabalho de pré-época. Há que readquirir práticas de recuperação rápida e eficaz da bola.

1 comentário:

Lamas disse...

Muito bem escrito e concordo que a chave pode estar por aí... a essência do jogar à Porto, mais do quê a raça em "dar porrada", é a raça de "ganhar", a raça "de ganhar a bola" e marcar...