segunda-feira, 19 de maio de 2014

Sete pecados capitais do FCPorto 2013/2014 – O piloto automático




Começo hoje uma serie de sete artigos com aqueles que, na minha pouco humilde opinião e com os dados que tenho, considero terem sido os grandes erros que levaram à nossa má época. Má, catastrófica, o que lhe queiram chamar. São sete por causa das referências históricas, religiosas e sobretudo numa referência ao fantástico filme de David Fincher. Poderiam ser cinco resumidos ou trinta, detalhados ponto por ponto.

Passo a listar os pecados: 1) o piloto automático; 2) o modelo; 3) a pressão; 4) o defeso; 5) ‘Luchúria’; 6) o interino; 7) o processo.

Vamos ao primeiro: o piloto automático.

À medida que os títulos se acumulam vamos acrescentando ao endeusamento e ao culto de personalidade do Presidente Pinto da Costa. Merecido! É sempre fácil, perante a dúvida sobre as suas decisões, fazermos um exercício de reconhecimento do acumular de méritos passados. Exemplo: isto parece arriscado mas ele costuma ter o 'toque de midas'... Isso torna-nos acríticos e, para cabeças pensantes, torna-se frustrante.  Mas há esta ideia reinante de que a estrutura se sobrepõe à orientação técnica. É como se assumíssemos que qualquer um conseguia ser campeão neste FCPorto. Ouvi muitas vezes: até Vitor Pereira consegue ser campeão… É a ideia de que o treinador não deve inventar muito, uma espécie de piloto automático… Errado! Provou-se este ano que não é qualquer um que pega nesta equipa e não podemos ser sempre o laboratório de estágio para treinadores em ascensão. Sabemos agora que, depois do risco na escolha de Villas-Boas e de Vitor Pereira, fazia sentido outro tipo de perfil. Agora ainda mais.

Todos desconfiamos que o processo de escolha de Paulo Fonseca não terá sido fácil. São até convenientes as várias histórias que se contam, agora que se sabemos os resultados. Fala-se de pré-acordos não cumpridos pelo FCPorto com Leonardo Jardim, de novo assédio a Jorge Jesus, e da existência por fim de duas alternativas preteridas: uma brasileira e outra com um perfil semelhante ao de Paulo Fonseca e é que até um treinador que continua na moda. Interesso-me mais pela estratégia que se escolheu naquela altura: pela terceira vez consecutiva o risco. E julgo que se sobrevalorizou o poder da estrutura e, já agora, o impacto da qualidade do plantel nos dois títulos anteriores.

Sabemos agora que o esquema de posse de bola desenvolvido ao limite por Vitor Pereira protegia a defesa das trapalhadas que vimos este ano. Marcávamos menos golos mas controlávamos os ímpetos dos adversários de forma a não os sofrer. Não vou na onda dos que dizem que os campeonatos foram perdidos por terceiro. É falacioso. Goste-se ou não, e eu confesso que não gosto, havia qualidade, noção do plantel e ideias próprias na equipa técnica.

A escolha de Paulo Fonseca falhou em toda a linha. O Presidente arriscou pela terceira vez e não só não conseguiu um treinador que levasse a equipa ao Tetra, como não conseguiu sequer evitar o seu despedimento. Tornou-se demasiado claro que não havia um único jogador que mostrasse melhor rendimento do que em anos anteriores e que os reforços tardavam em mostrar qualidade. Sentia-se que isso era fruto de uma grande intranquilidade e de falta de confiança. Mais que os triângulos e os 4-3-3’s, esse é sempre o sintoma de que há que mudar.

Esperemos que este ano se valorize mais a liderança técnica da equipa.

PS: Este texto foi escrito antes da escolha de Lopetegui.

3 comentários:

Lamas disse...

Bem escrito... e tudo piorou quando o verdadeiro "Comandante" partiu... aí foi sempre a descer...

Do timming de apresentação deste ano não há nada a dizer...

prata disse...

Tive pena de não publicar isto antes do anúncio do novo treinador...

Paulo disse...

Nunca achei valida essa história de que no FCPORTO qualquer um é campeão ,se asim fosse ia para lá eu e ficava muito mais barato,sempre achei que ganhamos mais vezes porque temos os melhores e mais vontade de vencer ,a dita "estrutura" só ajuda a tornar as vitórias mais fáceis ,se assim se pode dizer.
Basta olhar para o AT.Madrid destas ultimas épocas para se perceber que não é só ter grandes nomes que custam milhões,mas sim ter uma verdadeira equipa com uma liderança forte.espero que o novo treinador consiga trazer isso,porque nós também já tivemos equipas assim e por isso chegamos aonde muitos nem sonhavam, e esta época que terminou tal como muito bem refere ligou-se o "piloto automático" não houve lider ,nem equipa .pensou-se que o rival por ter tudo perdido e ter começado mal ia implodir.

Saudações Portistas

Paulo Almeida