quarta-feira, 21 de maio de 2014

Sete pecados capitais do FCPorto 2013/2014 – O modelo



Segundo capítulo da saga, segundo pecado capital identificado. Na minha opinião o modelo desportivo tem de ser ajustado. De uma forma simplista, o esquema é desenhado em três pilares fundamentais: scouting poderoso e aposta na relação com empresários com poder em mercados específicos; valorização dos ativos adquiridos pela sua inclusão numa equipa com rotinas de vitória, com títulos e com exposição na montra europeia; e obtenção de mais valias na venda dos jogadores para Ligas mais poderosas.

Não está em causa a totalidade do modelo. A crise não fez abrandar as propostas faraónicas por jogadores e não será um ano sem títulos que afastará os compradores. O problema está no scouting e nas contratações. Mercados anteriormente acessíveis como o brasileiro e argentino, apresentam agora condições económicas que tornam qualquer talento precoce identificado num negócio demasiado oneroso. E não só! A confusão instalada nas propriedades dos passes torna absolutamente impossível o nosso habitual antecipação e abordagem discreta, criando ainda mais entraves negociais. A praga tem-se alastrado a todo o mercado sul-americano e não é por mudarmos as baterias para a Colômbia ou para o México que vamos fugir à tendência. São jogadores bons mas cada vez mais caros e, com a co-propriedades de passes,  com o inflacionamento dos mercados, começamos a ter mais-valias cada vez menores. Lembrem-se lá do último jogador adquirido no mercado sul-americano contratado por menos de 4-5 milhões de euros? Fernando? É uma espiral que tornará o modelo insustentável a médio prazo, para clubes que não têm acesso a petrodólares ou perdões de dívida na Banca.

Percebo, no entanto, que já se começou a inverter o ciclo e que, já este ano, procurámos não ‘pôr os ovos todos no mesmo cesto’. Temos tentado apostar mais na contratação de miúdos para desenvolver nas camadas jovens e equipa B, nomeadamente no mercado africano, por exemplo, o doloroso Atsu e o inenarrável Abbdoulaye. Percebemos também que houve uma aposta reforçada no mercado nacional com Ricardo, Licá, Josué, Tiago Rodrigues e Carlos Eduardo (brasleiro mas o contexto é diferente). Mas o grosso do investimento está no mercado Sul-americano. É também aí que está o maior risco. Quanto mais caro, mais arriscado… 

Como temo que, perante a época que fizemos se tenha a tentação de voltar a esses caminhos e contratar o novo Lucho ou o novo Hulk por 7-8 milhões cada um, proponho um ajuste ao modelo. Já temos estrangeiros de qualidade no plantel e poderemos até chegar à conclusão de que um FCPorto com mais portistas e mais portugueses, não será nada inferior ao do FCPorto que temos visto nos últimos anos. Melhor que o de este ano não será difícil…

2 comentários:

Paulo disse...

Concordo plenamente com a sua analise,até os rivais já se estão a virar para outros mercados que não o sul-americano,é tempo de reajustarmos o modelo e os novos mercados de compra ás novas realidades de mercado.

Saudações Portistas

Paulo Almeida

Lamas disse...

Parece que este ano o mercado será, claramente, o espanhol e cheira-me que, em alguns casos, vamos recorrer a empréstimos... A ver vamos...