segunda-feira, 18 de março de 2019

Pressão alta



Desde que escrevi aqui pela última vez, já colámos no primeiro lugar. A desilusão que tivemos de engolir depois do clássico do Dragão, trouxe também algum estado de apreensão com as hipóteses de revalidar o título. Efetivamente, o Benfica teria de empatar duas vezes ou perder uma. Em simultâneo, o FCPorto teria de ganhar todos os seus jogos. Parecia um cenário complicado, mas, passadas duas jornadas, o cenário melhorou um pouco e a moral voltou a crescer. Notou-se até nas caras dos adeptos, ontem no Dragão. 

Não deixa de ser verdade que, ao ganhar em Moreira de Cónegos, o Benfica passou-nos a responsabilidade de ganhar em Braga. Era teoricamente a segunda deslocação mais difícil que tinham até ao final do campeonato e agora nós temos a nossa mais difícil. Uma vitória poderá aumentar ainda mais o nível da pressão que teremos de manter em níveis máximos, até ao final. Convém não esquecer que, nos próximos tempos, vamos jogar sempre antes do Benfica, por causa das opções dos operadores na Taça de Portugal e pelo facto de nós estarmos na Champions e eles na Liga Europa. Pensar que havia por aí portistas a desejar que eles não passassem o Dinamo de Zagreb... Mas jogar antes, só é uma vantagem se formos ganhando. O calendário pode ajudar, mas as vitórias é que põem pressão.

Quanto ao jogo com o Marítimo, era uma questão de tempo. O FCPorto entrou muito forte e, com a expulsão, ficou dono do jogo até ao final. O golo tardou um pouco, mas a avalanche era tal que seria uma questão de tempo.

A propósito da expulsão, um aparte sobre a análise do painel do jornal O Jogo. Unanimidade contra a expulsão? Isolado, com a bola a rolar à frente e perfeitamente ao alcance do Marega e em direção à baliza. Que mais querem? É esta arbitrariedade que faz com que o VAR esteja a ser tão difícil de implementar no futebol mundial. Apenas direi que basta ir ver o resumo do Santa Clara-Benfica para perceber que este árbitro, certo ou errado, ao menos é coerente nestes lances. Não expulsou em nenhum dos casos e foi salvo em ambos pelo VAR.

Adiante, gostaria de falar um pouco da avalanche. Efetivamente criámos muito perigo, rematámos muito, mas marcámos pouco e já perto do final. Julgo que já são pouco os que se iludem e acham que isto é fruto que factores como sorte ou outra qualquer teoria desresponsabilizante. Antes de abordar mais uma vez a questão, deixo apenas dois breves resumos das estatísticas de jogo publicadas no site da Liga.

 

A da esquerda é do nosso jogo de ontem e a segunda é do 10-0, resultado mais desequilibrado desta e das últimas ligas. Comecemos pelo número de remates. A Liga até nos rouba alguns, visto que as estatísticas da Opta dão-nos 31/8 (remates/enquadrados) contra 24/14 do Benfica nesse jogo. Rematámos mais 30% para uma eficácia de enquadramento que é menos de metade da do Benfica nesse jogo. Isto num jogo em que temos 80% de posse de bola, em que jogámos cerca de 90 minutos contra 10 e em que nem permitimos que o adversário respirasse atacando. Nem sequer remataram à nossa baliza! Desenganem-se os que acham que isto é uma ode ao futebol benfiquista, que também tem muitos problemas que têm sido resolvidos exactamente à custa desta eficácia. Basta ver o que aconteceu na passada segunda-feira. O que pretendo é demonstrar que eles têm muito mais qualidade que o FCPorto na definição. Este é um problema que teremos de minimizar até ao final do campeonato e tratar convenientemente no mercado de Verão.

Ora, importa saber como minimizar o problema de precisarmos de mais oportunidades para marcar golos, do que o nosso adversário direto na luta pelo título? Desde logo, importa jogar com os melhores, sempre! Ontem, por exemplo, jogar com os melhores significava entrar em campo com a equipa que terminou o encontro. Na qualidade de finalização não podemos variar muito. Soares e Marega marcam pouco para o que a equipa cria, mas são claramente melhores do que qualquer das opções de banco. O que podemos fazer é criar condições para que a bola lhes chegue em melhores condições. Isso implica que jogue o jogador que passa com mais qualidade, no plantel e na liga portuguesa. Implica também que jogue o melhor driblador, do plantel e da liga portuguesa. Precisámos de profundidade nas alas? Então tem de jogar o nosso lateral que chega à linha mais vezes. Parece simples, mas temos chocado com uma realidade diferente, a cada vez que vemos o onze escalado. Dou por mim a fazer perguntas que pensei nunca fazer: mas agora é normal o Brahimi ir ao banco? Não me lixem com f! Não é! Não pode ser tratado como tal. E Conceição confirma que é uma opção convicta. Perguntaram-lhe após o jogo. Ele diz que apostou nesta equipa e que, como está contente com o desempenho de quem entrou, tem de ser coerente. Mas a coerência tem muito que se diga. Se fosse sempre coerente, Corona não tinha jogado contra a Roma depois do péssimo jogo que fez com o Benfica. Igualmente, teria de ser Herrera a sair da equipa após esse jogo, em vez de Oliver que jogou melhor. Militão também não poderia ter jogado com o Feirense depois do mau jogo que fez com a Roma. Além disso, a coerência está muito ligada à percepção que ele tem do jogo. Se acha que Corona e Otávio estiveram melhor do que Brahimi com a Roma, eu concordo. Mas o jogo com o Feirense foi dos piores jogos que o FCPorto fez nesta época! Segundo a tal coerência de Conceição, não poderíamos apresentar o mesmo onze na jornada seguinte. Mas apresentámos... O problema de eficácia deste FCPorto já chegou a ser um problema de falta de opções. Neste momento também  é um problema de opções erradas. Nesta fase decisiva, têm de jogar os melhores!

Individualmente, dou o MVP a Corona. Foi o grande agitador do jogo e ajudou a minimizar a ausência de Brahimi. Imaginem só se tivessemos os dois a jogar ao mesmo tempo. Ainda se lembram? Não foi há muito tempo... Alex Telles acaba por estar ligado ao resultado com um golo e uma assistência. Gostei da entrada de Manafá que ajudou a resolver o jogo. O penalti resulta de uma arrancada sua. Brahimi também estrou bem e as oportunidades de golo intensificaram-se com a sua entrada e com a de Oliver, mais tarde. Não gostei do facto de termos tirado Pepe ao intervalo e Felipe passar toda a segunda parte a mancar. Esta dupla Danilo e Herrera é muito eficaz, mas não projecta a equipa para a frente como nós precisámos. Sobretudo sem Brahimi. Raramente lhes consigo dar uma nota má, mas, nestes jogos em casa, dificilmente irão ter uma nota muito boa. E não é por falta de empenho dos jogadores.

Temos agora uma pausa de 15 dias para  descansar e preparar o fundamental jogo em Braga. Por uma vez, parece que esta pausa até vem em boa altura.

1 comentário:

Mirone disse...

Só para dizer parabéns pela análise.

Concordo com tudo. O nosso problema é a criação da oportunidades flagrantes, daquelas que toda a gente acha que não falhava se tivesse lá. Os avançados podem não ser os melhores finalizadores que já tivemos, mas se a bola lá chegar em condições vão marcar mais vezes. O Tiquinho quando chegou do VSC marcou 10 golos em 7 jogos...