terça-feira, 27 de agosto de 2013

Tranquilo


O Dragão esteve cheio para receber, pela primeira vez, o FCPorto na 'versão Paulo Fonseca'. Seria interessante ver como a equipa reagia a um jogo em Setúbal que foi bastante turbulento. A resposta foi clara: vitória tranquila e inequívoca. Isto apesar de o golo ter tardado um pouco. Ainda assim, não houve grandes sobressaltos perante uma equipa que parece poder voltar à luta pela Europa. O português Danilo e Derley parecem ser importantes reforços. Mas, tal como o resto da equipa, foram completamente manietados pelo carrocel portista. 

Após três jogos, posso começar a fazer algumas comparações com o ano passado. Pelo menos as mais faladas. Desde logo há a questão do duplo pivot. Começo por dizer que raramente vejo o FCPorto com dois pivots defensivos. Vejo uma alternância na posição 6 entre três ou mesmo quatro jogadores. Talvez em organização defensiva, mas é raro. O que vejo é que, independentemente dos triângulos e dos losangos, a equipa ganhou dinâmica ofensiva perdendo simultâneamente protecção aos centrais. É vulgar ver Fernando na zona do 10 e Defour nas alas. A ideia é baralhar os defesas e abrir caminhos para os avançados. Poderemos ponderar se não seria mais fácil incorporar nessas funções outros jogadores mais talentosos. A verdade é que a defesa fica mais vulnerável. Para consumo interno, não me importo nada de perder protecção aos centrais. Até porque a defesa é provavelmente o mais forte sector da equipa. Na Europa a conversa é outra e convém ir preparando a equipa para tal facto. É também muito falado o novo papel de Lucho. Mais uma vez não vejo grandes diferenças posicionais. Dizem que está mais próximo de Jackson, mas eu direi que Lucho é daqueles jogadores que nem precisa de treinador. Ele está onde é preciso e provavelmente foi preciso neste últimos jogos. Quando não for, por exemplo quando jogar Quintero e Josué em simultâneo, as funções serão outras. O que vejo é que a equipa quer ter a bola, mas não quer trocas de bola demasiado longas. Isto sim é uma mudança. Poderão reparar que os centrais, perante a ausência de opções de passe curto ou lateralizado, não jogam com Helton. Jogam longo nos avançados, onde facilmente vemos igualdades numéricas com a inclusão de Licá e Lucho ou até Defour. É uma questão de dinâmica e paciência com posse de bola. O meio campo do FCPorto é tudo menos estático e parece ser essa a resposta de Paulo Fonseca à grande perda que foi a venda de Moutinho.

Quanto ao jogo, poderia ter-se resolvido ainda mais cedo. O golo não surgiu e aguardámos calmamente pelo acerto na concretização. Depois, e já com o terceiro golos, dormiu-se um pouco e o jogo valeu por aquela expectativa que se sentia nas bancadas a cada vez que Quintero tocava na bola. A equipa percebeu e fazia com que a bola rodasse até ao miúdo. Pouco faltou para que mais um momento de magia dele terminasse nas redes.

Individualmente consegui, na foto acima, reunir todos os jogadores com notas mais altas em termos de exibição. E gostei que os jogadores mais desequilibradores da equipa fossem os únicos dois portugueses no onze. Licá é um jogador que precisa de confiança e ainda bem que a época dele começa assim. Temos opção para a época toda. Mas no caso de Licá tinha uma esperança. Já Josué é diferente. Nunca pensei que pudesse ganhar o lugar e jogar desta maneira tão cedo. O passe para Danilo no segundo golo é magistral. Poderão ter reparado que acabámos o jogo sem portugueses. Eu até sou daqueles que não vê nisso um problema. Antes um sintoma do rumo que o futebol tomou. Mas temos já dois portugueses com papel fundamental na equipa e ainda há Varela. Ainda bem! Depois tivemos Um Danilo bastante irrrequieto e a compensar com mestria o facto de não ter um extremo de raiz à sua frente. Josué abre-lhe o corredor e ele só tem de aproveitar. Defour parece não estar a acusar a pressão da saída de Moutinho e dos milhões que custou Herrera. E fá-lo usando dos seus argumentos: entrega, mobilidade e pilhas inesgotáveis. Estou a gostar. Por último Jackson. Parece que só quer marcar os golos de artista e é um bocado irritante, mas trabalha muito e isso é de valorizar nesta altura tumultuosa de fecho de mercado. Os restantes estiveram a um nível elevado. Foi pena a lesão de Mangala e que não tivesse dado para Iturbe ganhar mais confiança. Parecia o jogo ideal para isso. Destacaria por último Paulo Fonseca. Nota-se ali bastante trabalho nas bolas paradas. Fundamental no futebol actual.

7 comentários:

Lamas disse...

Gostei, bastante... e vou no diapasão do que escreveste...

Gostei também do pormenor de ele não meter o Herrera e deixá-lo para segunda para a equipa B para jogar os 90 minutos... acho que tem mais lógica assim... quem não joga, jogar na B e quando forem realmente precisos já terem alguma "rodagem"...

Lamas disse...

... ah e da cueca do Quintero!!! ;)

João disse...

Entrega, mobilidade, pilhas inesgotáveis e igualmente inesgotável capacidade de enterrar todas as jogadas que lhe passaram pelos pés.

Concordo com todos os outros, agora o Defour, por amor de deus...

prata disse...

À minha volta, no Dragão, a malta tb detesta o Defour. Eu até ficaria na dúvida. Mas depois vejo que se entusiasmam com a entrada de Iturbe. E aí decido voltar a pensar pela minha própria cabeça...

Taqui disse...

Li o post todo com atençao e tava a ver que te esquecias das bolas paradas!Mas nao! Começando por aí, noto realmente uma grande diferença, mt trabalho, nao só nos cantos, mas nao sei se repararam numa saída de bola, qd os centrais sao pressionados e o helton manda subir, imediatamente desceram os laterais e saiu-se a jogar na mesma!
Gosto muito do Lucho, ja o disse aqui várias vezes, mas contra a maioria das opinioes, acho que ele joga melhor a 8. Acho que se perde muito da sua leitura, porque ele recebe quase sempre a bola de costas numa zona onde a pressao é muita, la está, perto do jackson! Talvez neste esquema, teria um desgaste maior, mas insisto que tlv recuava o lucho e entrava o quintero a 10. Claramente o homem é craque, vamos ver se nao desilude! Quanto a organizaçao ofensiva, onde está a equipa que jogou contra o Millionários com cruzamentos constantes dum lado e do outro,com o ala contrario a entrar como 2º avançado? (Varela de Cabeça fez golo) O que vi foi mais do mesmo, Licá e Josué por dentro e Alex sandro e Danilo a cruzar. Há algumas diferenças para melhor do que viamos o ano passado, mas mesmo assim ainda mantenho-me reservado aos elogios! Mas... 3 jogos 3 vitórias, tá bom!
Abraço

Tony Silva disse...

hehehe excelente remark do Prata :)

Anónimo disse...

Parabéns ao marítimo por mais uma bela abertura de pernas...

F CORRUPTOS P