segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Calor


Não me lembro de uma tarde tão quente no Dragão. Arrisco dizer que se transpirou mais na bancada do que no campo. Não está em causa o esforço da equipa que, mais uma vez, foi impecável ao nível da entrega. Temos de contar com mais um fenómeno deste FCPorto de Sérgio Conceição, que é o de ter enchido o Dragão por 3 vezes consecutivas. 

Para tal, considero que o futebol que o novo treinador trouxe é importante, mas não é o único factor. Nota-se que a organização está mais apurada e preocupada em criar uma festa em redor do estádio que enriqueça ainda mais a experiência, nomeadamente para as famílias que vêm à bola. Algo que não ajuda é a qualidade inenarrável dos cartões de sócio. O meu, além de já nem se notar a minha foto, falhou pela terceira vez e os meros dez euros que me custou há um ano, começam a ser muito caros para a qualidade. Pela fila que estava à minha frente para resolver o problema, percebo que não fui só eu a ter azar na compra.

Vamos ao jogo. A equipa soube responder bem  ao muito calor que se fazia sentir, alimentando-se
talvez do calor que vinha das bancadas. De resto, se tivéssemos que explicar rapidamente o que mudou com Sérgio Conceição, bastaria exemplificar com os golos de hoje. No primeiro golo, tínhamos 3 para 3 na zona de finalização para atacar o óptimo cruzamento do Alex. E cheguei a contar 6 e 7 jogadores do FCPorto na área, em lances de bola corrida. Mas o segundo golo é mesmo paradigmático. Vemos claramente outra das características importantes deste FCPorto, que é a pressão em todo campo, e temos também  4 para 2 na carreira de tiro, algo que permitiu falhar duas vezes antes da concretização do golo. O último golo resulta igualmente desta necessidade de pôr pressão constante nas defesas contrárias. Esta atitude tem-nos valido muitos golos neste início de época e que pode ser uma das chaves no jogo da próxima semana em Braga.

Gostei que Aboubakar tivesse conseguido recolher uma boa dose de confiança, que é fundamental para um jogador nesta posição. Mas o que me deixa mais contente é esta fúria com que a equipa ataca os resultados. Esta intensidade ofensiva é o fio condutor das exibições da equipa que não descansa enquanto não tem um resultado seguro e, mesmo nessas alturas, poderá a qualquer momento marcar golos como o terceiro de Aboubakar. Irritou-me um pouco algum desconforto na minha bancada com o facto de não termos conseguido uma goleada igual à dos adversários.

Individualmente, MVP claro para Aboubakar. Teve menos oportunidades claras do que no jogo com o Estoril, mas com a eficácia que se lhe exige. Já Marega, fez um jogo bem melhor do que o que tinha feito contra o Estoril e não conseguiu marcar. Destaque para o excelente remate à barra e o passe que isolou Hernâni. De resto não tenho grandes destaques. Alex esteve melhor que a surpresa Maxi, mas o passe para o primeiro golo pode ajudar a esquecer que não fez um grande jogo ao nível do cruzamento. Oliver continua a ser dos melhores e esteve, mais uma vez, melhor do que Danilo, que vem melhorando a cada jogo. Nos centrais destaque para os pés de Marcano que estavam ligeiramente tortos. Corona voltou a estar melhor que Brahimi (limitado) e Otávio (desastrado). Iker sujou o equipamento uma vez, na segunda parte.

O próximo jogo em Braga é capaz de ser o jogo mais difícil de um calendário inicial que me pareceu simpático. Teremos uma semana para carregar o Ricardo com anti-histamínicos, antipiréticos e, eventualmente, antibióticos... Ironias à parte, será importante encetarmos uma 'invasão' ainda maior que a do ano passado!

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