quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Um treinador à antiga... sem papas na língua


De malas aviadas para a Arábia Saudita para treinar o Al Shabab, Jaime Pacheco deu uma entrevista com verdadeiras pérolas futebolísticas que me atrevo aqui a postar por temas:

Convites:

“Fui convidado por Benfica e Sporting (...) Se o Boavista me dava condições para fazer óptimas épocas, se me apoiava em tudo...iam ser questões puramente monetários a levar-me a abandonar tudo isto?”


Belenenses:

“É uma grande propriedade mas loteada, isto é, com muitas quintinhas lá dentro.”

“(...) no único campo que tinha para treinar aí trabalhavam todos os dias duzentos e tal miúdos. Muitas vezes íamos começar a treinar e o homem da relva ia começar a cortar a relva que eu mandara cortar no dia anterior. E o dono da relva, que já lá está há muitos anos, dizia-me ‘eu é que sei, eu é que percebo’.”

“(...) desde o princípio de Fevereiro deixamos de receber.”


Jogadores:

“(...) gosto muito do Luisão se ele jogar à sua maneira. É alto, feio, intimida mas tem de jogar simples”

(do plantel do Porto) Gosto de quase todos mas não dava 15 milhões pelo Cissokho – foi o negócio do século”

(sobre Mariano) Ele obriga os outros a treinar e a jogar e tem grande velocidade. Entrega-se totalmente e desgasta qualquer equipa. Pode não ter a qualidade dos outros mas é um jogador de quem gosto muito.”

“Gosto de outros ainda, como o Raul Meireles, que era central nos juniores e que pus a jogar nesta posição.”

“E temos ainda o Bruno Alves, o jogador que eu designei o melhor jogador do campeonato. É melhor que o Pepe. O pai dele também assustava...”

(sobre Liedson) Trabalha muito. E tem outra coisa: qualquer adversário que lhe ponha a mão no ombro ou na cabeça é logo sacudido. Ele não quer nada com o adversário – para ele são todos inimigos. Depois do jogo até pode dormir com o adversário mas em jogo são todos inimigos.”


Sobre a formação nos clubes:

“Hoje, temos equipas a trabalharem com cinco ou seis campos relvados, com power points, com treinadores estrangeiros...mas onde está a paixão e a mística, o rigor e a disciplina?”


Relação com os jogadores:

“Não sou, claramente, um treinador facilitista, gosto de controlar o peso, o equipamento...”

“Não me revejo num atleta que usa pitons de borracha durante o Inverno. E aí sou rigoroso. O que costumo dizer aos jogadores é isto: ‘Preferem ver um adversário de piton de alumínio ou borracha?’ E eles respondem sempre que o preferem ver de borracha. Com alumínio o adversário está mais seguro e intimida. Gosto que os jogadores tenham uma aplicação e uma paixão pelo trabalho.”


(Má) Relação com o Porto:

“A culpa não é minha. Jogo nos veteranos do FC Porto e às vezes sou proibido de jogar sem saber porquê...e depois lá me levantam o castigo. Se há coisas que eu agradeço é a vida desportiva que tive no FC Porto e muito do que sou deve-se a eles. Foi uma felicidade ter passado por lá.”


Frases soltas:

“O que sei é que pessoas como Pimenta Machado e Valentim Loureiro, e o próprio João Loureiro, fazem muita falta ao futebol português.”

“Quando jogava no Aliados de Lordelo fazíamos crosses e eu ganhava sempre. Sentia-me preparado para jogar ao mais alto nível mas quando passei para o FC Porto na pré-temporada fazia parte do pelotão dos últimos. Senti algumas dificuldades e sofri muito. No final do ano já ia na frente do pelotão. E no ano seguinte, e digo isto com vaidade, ninguém me apanhava! Todas as corridas e todos os jogos eram os últimos da minha vida. Os jogadores que comigo a treinador fizeram isso, todos eles singraram. É um sofrimento que dá prazer porque no final de cada treino e de cada jogo temos resultados. Há jogadores que não vão mais longe porque nunca tiveram esses valores.“

“É uma coisa que a mim me mata: ver, no final do jogo, os jogadores a darem beijos uns aos outros. Se calhar sou antiquado mas não é essa a minha filosofia.”

4 comentários:

Pispis disse...

Gosto muito da apreciação ao Luisão, ao Bruno Alves e Liedson :-)

A parte dos beijinhos tb está mt boa :-)

Jaime Pacheco e Octávio Machado seriam, sem dúvida, uma dupla de sucesso...

Toni Silva (F.Rego) disse...

Pis,

Aprovas a parte do fim dos beijinhos??

Vou contar ao Mário .... O homem vai ficar triste.

Ricardo de Sousa disse...

Também gosto muito da avaliação que faz aos jogadores.
Muito acertivo.

Gosto da maneira como ele vê o futebol: "é um sofrimento que dá prazer".


Pipsis,
Já a parte do octávio machado ... dúvido.

Quanto aos beijinhos, talvez seja um pouco antiquado, sim!

Abraço
http://carregaporto.blogspot.com/

Dragao e Tripeiro disse...

Era um treinador que eu nao me importava de ver a treinar o FCP...