segunda-feira, 4 de junho de 2018

Época 2017/2018 - Sérgio Conceição



Já só pensamos na próxima época e ainda nos faltava falar do grande protagonista da nossa conquista: Sérgio Conceição. 

Pouco há a fazer além de elogiar. Mas já conhecem o feitio destes meninos. Há sempre alguma coisa que podia ser melhor. Comecemos pelo muito que fez de muito bom. 

É quase consensual considerar que Sérgio Conceição fez um milagre com o plantel de que dispunha. Posso aceitar mas queria deixar uma ressalva. Não é verdade que o plantel fosse mau. Essa era uma percepção errada que advinha de uma noção que tínhamos de que os jogadores que cá tínhamos, não tinham qualidade para produzir mais do que o que se viu nos últimos anos. Esta ideia é até contraditória com outras das críticas mais ouvidas como a falta de qualidade dos treinadores que por cá passaram, ou a SAD que só contrata quem lhes dá comissões. De facto, havia posições críticas em que faltavam opções, sobretudo nos lugares da frente. Mas, de uma maneira geral, o plantel estava cheio de jogadores que ainda não tinham demonstrado todo o seu potencial. E é esse o milagre de Sérgio Conceição: pôr os jogadores a jogar o que sabem. Deveria ser simples e o mínimo exigível mas, nos últimos anos, não pareceu... Foi este o 'segredo de Conceição'. E fê-lo de duas formas: através do modelo de jogo e através do trabalho motivacional. 

Comecemos pelo modelo de jogo. Com Soares, com o regresso de Aboubakar e com a aposta em Marega, que Sérgio já queria para o Nantes, foi decidido que íamos abordar o campeonato com dois avançados. E este facto é importante porque acabou por definir tudo o resto. Todos os avançados disponíveis eram poderosos em termos físicos e fortes no jogo aéreo. Marega, em específico, é muito forte a atacar a profundidade. Como servir a nossa dupla? Desde logo, temos laterais que são mais fortes a cruzar que qualquer dos nossos extremos. Logo, há que aproximá-los da frente. Para arranjar espaço, e como se optou por não utilizar médio para jogar nas entre-linhas, há que pôr os extremos a atacar essa posição, por forma a preencher o miolo e podermos aproveitar os ataques à profundidade dos avançados. Com a dupla de centrais a transitar sólida da época anterior, a dupla de médios parecia combinar uma abordagem mais física e uma a capacidade de reter a bola quando necessário, com Danilo e Oliver. Porém, esta dupla não convenceu Conceição em termos de agressividade e pressão. Isto porque os dois avançados não serviriam apenas para dar presença na área. Serviriam igualmente para pôr pressão na saída de jogo do adversário e teria de ser um dos médios a manter uma segunda linha de pressão, para que a equipa não partisse. Nessa função surge Herrera como melhor intérprete e como peça fundamental do modelo. E assim, segundo a minha teoria, Sérgio Conceição montou a equipa da frente para trás, ao contrário do que é habitual.

Em termos motivacionais o trabalho viu-se a cada jogo. Viu-se na roda final em cada jogo e viu-se no empenho incrível que vimos em todos os jogos sem excepção. Viu-se também nos caso de indisciplina como o de Soares e na forma como inventou jogadores como Marega e Sérgio Oliveira. Viu-se também no reconhecimento de erros próprios, como no regresso de Casillas e nas declarações no final de alguns jogos que correram menos bem. Sérgio Conceição tem uma personalidade muito forte que soube pôr ao serviço dos nossos objetivos e não apenas dos dele.

Mas nem tudo foi óptimo. Há sempre algo a melhorar e, tal como nos elogios, vamos organizar nos mesmos dois capítulos: modelo de jogo e trabalho motivacional. 

Em termos de modelo de jogo, fomos insistindo aqui que falta alguma criatividade. Alguma capacidade de improviso e de trocar as voltas aos treinadores mais bem preparados. Normalmente, esse papel está entregue quase em exclusivo a Brahimi. Ora, por ele ser o grande jogador que é, este ano chegou. Mas será que poderemos continuar a concentrar toda a nossa capacidade de improviso num só jogador? Neste campeonato e com este árbitros? Parece-me arriscado. Assim, julgo que poderíamos melhorar se variarmos a composição do meio campo consoante os jogos. Dar um papel mais relevante a jogadores como Otávio e sobretudo Oliver. É importante variar mais o nosso jogo. Fica o desafio.

Em termos motivacionais posso-vos contar uma discussão que tivemos entre basculantes quando perdemos em Belém.  Nessa altura já tínhamos perdido a Taça da Liga na meia-final e o primeiro lugar nas vésperas de ir à Luz. Será que o Sérgio exige tanto dos jogadores, em termos emocionais, que, perante um primeiro abalo, tudo se desmorona? Assim ao estilo do que tem acontecido com Scolari nas equipas que treina? Isso poderia explicar a nossa dificuldade nos penaltis e nos jogos decisivos das competições a eliminar e a derrota em Belém depois da de Paços. Poderia explicar também porque Sérgio Oliveira não quis marcar o penalti em Paços. Mas a exibição na Luz e o golo de Herrera serviram para sossegar esta teoria, mas ainda não fiquei totalmente convencido.

Em suma, chegámos a temer estarmos perante um pé frio do género de Peseiro, mas essa exibição na Luz acabou por mudar tudo e de forma totalmente merecida. Ainda assim, quero acreditar que faria uma avaliação semelhante ao trabalho de Conceição sem esse resultado. Mas são apenas especulações... Certo é que a primeira época foi óptima, e a segunda terá de ser melhor! É assim o FCPorto e o treinador sabe-o bem!

2 comentários:

Barba azul disse...

Prata...eu sei que o silêncio é de oiro, mas já é oiro a mais! : )...

prata disse...

Toda a razão. Estamos de volta!