quinta-feira, 8 de junho de 2017

Época 2016/17 - Perplexidades


Já passámos pelos destaques positivos e negativos e até tentámos avaliar o rendimento dos jogadores emprestados. Há no entanto, no plantel do FCPorto, alguns jogadores cujo rendimento me causa dúvidas por causa do potencial que eu, bem ou mal, lhes atribuí. Nestes casos, o rendimento e o potencial têm andado em rotas diferentes quando, a médio prazo, deveriam convergir. Mais uma vez, eis as minhas maiores perplexidades por ordem crescente em termos de classificação e de grau:
5º - Ruben Neves e Oliver 
4º - Alex Telles
3º - Soares
2º - Felipe
1º - Corona
 
Comecemos então por dois casos que para mim são semelhantes. Para mim, uma equipa do FCPorto que tem estes dois jogadores no plantel, facilita muito a tarefa do treinador porque tem duas opções decididas à partida. Ainda por cima, no meio campo. São jogadores com tamanha qualidade e potencial que, na minha opinião, deveriam ser indiscutíveis. E porque é que não são? O meu instinto é dizer que temos tido treinadores fraquinhos, mas não pode ser só isso. Dou por mim a pensar que, se eles fosse assim tão bons, eram indiscutíveis mesmo com o José Mota. Apesar da minha perplexidade, o que posso desejar é que haja uma boa proposta pelo Danilo e pelo Herrera... O próprio Presidente anunciou que isso já chegou a acontecer... Mais a sério, espero que este seja o ano em que os dois 'pegam de estaca' e vão ver que o nosso futebol vai melhorar e muito.

De seguida temos Alex Telles. Foi talvez o jogador que mais cedo demonstrou que seria reforço. Foi tendo um percurso com muito poucos erros, até ao momento em que passou a acusar a pressão. O episódio com a Juventus foi o mais grave, mas notou-se uma quebra emocional e de confiança deste jogador. Que Alex teremos no futuro? O que é capaz de meter um Gelson no bolso ou o que consegue ser expulso, em menos de 5 minutos, por acumulação de amarelos?

Soares teve um percurso entusiasmante no FCPorto. Entrou a marcar muitos golos e a revolucionar uma aflitiva falta de eficácia que a equipa vinha demonstrando. Mas Soares já joga em Portugal há uns anos e parecia impossível ele, de repente, ser assim tão bom. E era mesmo impossível! Rapidamente golos que marcava com o ombro e com a canela passaram não ir para a baliza, como é natural. Rapidamente o espírito combativo passou a dar lugar às faltas desnecessárias. Um avançado com aquele ritmo de concretização não joga muito tempo por estas paragens e este é um processo normal em qualquer avançado, sobretudo num avançado de uma equipa que tarda em regressar aos títulos. Chegamos assim à minha perplexidade. É para mim claro que o Soares foi uma excelente contratação de inverno. No entanto, para mim o talento é o André Silva. Esse é o titular indiscutível. Soares é uma alternativa que, a tempos, poderá ser o titular, mas nunca um titular indiscutível num plantel que também tem o André.
 
Felipe é um caso especial. O seu rendimento ao longo da época foi para mim uma surpresa enorme. Era capaz de apostar que Felipe iria ter muitas exibições desastrosas como a que teve em Moreira de Cónegos. Isto porque me parece um jogador descontrolado. Demasiado impulsivo e inexperiente para a idade que tem. A verdade é que isso não aconteceu e Felipe teve apenas uma exibição claramente má ao longo da temporada. Isto apesar do penalti na Luz do amarelo no primeiro minuto em Braga e da escorregadela frente ao Vitória de Setúbal. As exibições de Felipe foram consistentemente boas e com erros pontuais como acontece com todos os centrais. A minha perplexidade é perceber se eu estava errado e se Felipe é mesmo muito melhor do que o que parecia. Aparentemente é, mas sou teimoso e continuo a olhar para ele com uma desconfiança, talvez injusta.

Por último, temos Corona. É um jogador desconcertante. Um talento puro, que em certos ponto até parece superior ao de Brahimi. Mas continua a tardar o momento em que Corona se firma como um indiscutível talento. Tem pés, tem velocidade, mas não tem o 'mindset' necessário. Aquela fúria de vencer que vemos, por exemplo, no André Silva e no Maxi. O problema é que dizemos isto há dois anos. Quando é que ele vai deixar de jogar para o FCCorona? Será que vale a pena esperar ou vamos ter de aturar estas épocas de 'fogachos' e de talento por cumprir?

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Época 2016/17 - Rendimento dos emprestados



Continuamos o nosso exercício de auxílio ao nosso novo treinador, Sérgio Conceição. Quanto aos emprestados, poderíamos fazer duas ou mais listas: os melhores, as desilusões, os gajos que já nem nos lembramos que são nossos, etc.. Será melhor cingirmo-nos aos destaques pela positiva... É de referir que as posições 4 e 5 resultam do facto de os jogadores se terem tornado activos mais vendáveis, enquanto que os restantes ainda poderão e deverão ser melhor aproveitados. Eis os melhores  emprestados da época por ordem crescente em termos de classificação:
5º - Quintero, Martins Indi e Aboubakar
4º - Marega
3º - Diego Reyes
2º - Rafa Soares
1º - Ricardo Pereira

Finalmente Quintero conseguiu voltar a destacar-se. Para isso teve de voltar a casa e a um futebol sem meio campo, como o sul americano. Mas a vantagem é que fez boas exibições na Libertadores, algo que pode fazer com que se valorize e que permita uma venda ou uma colocação num clube melhor, para a valorização deste ativo que já estava em decadência. Martins Indi e Aboubakar foram considerados jogadores para vender. A boa notícia é que ambos fizeram o suficiente para que fossem accionadas as opções ou para que fosse suscitado interesse de outros clubes. Era isso que esperávamos deles visto que, em ambos os casos, o regresso estava descartado à partida.
Vamos a Marega. É daqueles empréstimos que corre bem e é até perigoso. Passo a explicar. O estilo de futebol de Marega, dificilmente poderá adequar-se ao de uma equipa do FCPorto. Ora o seu bom rendimento poderá criar ilusões e uma eventual tentação de o chamar à pré-época. Na minha opinião, este é um jogador para vender já, e enquanto é tempo. Hernani é outro caso semelhante.

Vamos a Diego Reyes. Já sei... Enquanto cá esteve, Reyes foi um terror. Mas vamos tentar esquecer isso e olhar para o rendimento. Fez duas épocas seguidas, como titular indiscutível, em equipas do top10 da melhor liga do mundo. Pergunto se é fácil arranjar um central com este perfil e idade no mercado europeu? Se Boly custou o que custou depois de uma boa época no Braga, quanto custaria um Reyes, com 24 anos, depois de duas boas épocas em Espanha? Aqui no Basculação sou o único que ainda acredita no 'moço' mas acho que, pelo menos, merece uma última oportunidade.

Quem nos segue já percebeu que este é outro dos meus protegidos e daí os meus posts menos elogiosos sobre Rui Jorge e a sua teimosia. Na minha modesta opinião, apesar do bom rendimento do Alex Telles, Rafa é o melhor lateral esquerdo do FCPorto. O que melhor cruza o que tem mais qualidade com bola, o melhor em bolas paradas e o melhor para uma equipa que passa 50 a 60 minutos por jogo, no meio campo adversário. Tal como Layun, perde para Alex na intensidade defensiva. Ainda assim é bem melhor que Layun nesse aspecto e bem melhor que qualquer dos laterias esquerdos do nosso campeonato. Para mim, será uma incorporação óbvia no plantel e, eventualmente, um titular.

Terminamos com Ricardo Pereira. Ninguém percebeu porque foi emprestado, muito menos por dois anos. Um completo absurdo. Eu próprio questionei a aquisição de Maxi, não pelo que o uruguaio poderia render, mas porque iria limitar o espaço de crescimento do Ricardo. Como seria de esperar, passados dois anos, Maxi já não consegue manter o seu ritmo e Ricardo Pereira é dos jogadores mais pretendidos do campeonato francês. Polivalente, intenso e capaz de fazer todo o corredor direito, este seria um reforço de peso. Não. Não me enganei no tempo verbal. Admito perfeitamente que já não vamos a tempo de segurar este jogador e que vai ser uma nossas maiores vendas do defeso. Espero que esteja enganado.

Menção honrosa para o já mencionado Hernani e menos honrosa para Ivo Rodrigues, a quem antecipava que esta fosse a sua época de explosão.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Época 2016/17 - As desilusões

Cá estamos mais uma vez. Sérgio Conceição vai ter muito para 'limpar' neste plantel. Poderá começar pelos que tiveram um desempenho mais fraco. Eis os piores da época, mais uma vez, por ordem crescente em termos de classificação:
5º - Boly
4º - Sérgio Oliveira
3º - Depoitres
2º - Herrera
1º - Layun
Poderá parecer duro, colocar nesta lista um jogador que tão pouco pôde demonstrar. De facto, teve poucas oportunidades mas não deixa de ser estranho que tenha tido, visto que foi um jogador caro e que foi contratado para ser titular. Os centrais do FCPorto acabaram com demasiados minutos nas pernas e isto também se deveu ao facto de Boly não ter dado grandes indicações quando jogou e, suponho eu, nos treinos. A excepção terá sido o jogo no Bessa. Pouco para o que se esperava.

Esta terá sido a última oportunidade de Sérgio Oliveira no FCPorto. Relembramos que acabou a temporada anterior a titular. Ora este ano, pouco 'calçou' e nem no Nantes, de Sérgio Conceição, isso mudou.

Tal como Boly, Depoitres foi uma contratação cara, nos últimos dias de mercado e que vinha rotulado como a solução para a dependência de André Silva e até como um bom complemento. Pois a sua utilidade resumiu-se a um golo importante, em casa, contra o Chaves. Muito pouco para tanto dinheiro que custou. É até assustador pensar que se gastou dinheiro num jogador com estas características. Ao contrário de Soares que prometeu ser muito mais do que o que efectivamente é, Depoitres não engana ninguém. É isto. Bizarro é pensar que um jogador com estas características vale este dinheiro e que pode ser útil a uma equipa como o FCPorto.

Vamos ao nosso capitão. É difícil conceber que o rendimento de Herrera não melhore com o passar dos anos. Parece que é um bom rapaz e que cria 'bom balneário'. É também um facto que Herrera é mais criticado do que o que merece. Porque ele não é assim tão nabo como se tende a dizer. O problema de Herrera é que é demasiado inconstante e de rendimento imprevisível. E esta é uma característica que deveria ser mitigada à medida que ganha experiência. Tudo continua igual e não parece que vá mudar.

Layun foi a maior desilusão. Nós aqui, sempre fomos avisando que, apesar dos seu números ofensivos, Layun continuava a ser um defesa e que, como defesa, apresentava muitas limitações. Ainda assim, dado o seu rendimento na época anterior e por ter sido dos nossos melhores jogadores nessa época, exercer a opção de compra pareceu-nos um acto de gestão óbvio. Pois o futebol é assim. Não só não fez uma época com rendimento ofensivo sequer semelhante, como agudizou todos os defeitos defensivos. Todos nos lembramos do terrível jogo que fez com o Rio Ave em que só não foi expulso porque, por uma vez o árbitro se enganou em nosso favor. Grande desilusão!

Menção pouco honrosa para João Carlos Teixeira que não se conseguiu impôr apesar das boas indicações que deu, sempre que jogou.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Época 2016/17 - Os melhores


Numa semana em que começaremos um novo ciclo (mais um...), damos uma 'ajudinha' a Sérgio Conceição e fazemos uma avaliação geral do plantel e do seu desempenho na temporada que agora acabou. Teremos uma por dia. Comecemos pelos destaques pela positiva. Eis os melhores da época por ordem crescente em termos de classificação:
5º - André Silva
4º - Danilo
3º - Casillas
2º - Brahimi
1º - Marcano

Comecemos por André Silva. Pode parecer estranha esta presença no top 5 por ter acabado a época no banco e por ter perdido influência no ataque para Soares. Tudo isto é verdade, mas não convem esquecer o que André Silva fez no início da temporada. Já foi há alguns meses, mas eu lembro-me bem da minha apreensão por ter uma equipa que estava totalmente dependente da inspiração de um puto de 20 anos e como isso era uma prova inequívoca das lacunas do plantel. Marcou 21 golos, 5 dos quais na Champions (mais 6 na seleção) e teve 7 assistências. A produção ofensiva pode ter baixado à medida que a época foi avançando, mas o seu contagiante espírito lutador manteve-se até ao final. Grande época de um grande talento.

Já todos sabem que Danilo não é de todo a minha escolha para a posição 6 no FCPorto. Ruben é melhor em todos os aspectos que lhe são possíveis ser melhor. Não lhe podem pedir que tenha o desempenho físico de um tipo de 1,90 m e 90 kg. Não obstante, Danilo fez a sua melhor época pelo FCPorto. Já sei que o futebol muito conservador de Nuno Espírito Santo o favorecia. Mas Danilo demonstrava muitos problemas de posicionamento, em que evoluiu claramente com Nuno. Tinha também problemas ao nível da aceleração do jogo, mas até nisso evoluiu. Junto com os centrais, foi o jogador que mais beneficiou com Nuno.

Esta deverá ter sido a última época de Casillas no FCPorto. Se tivesse saído no final da época anterior, não deixaria saudades. Agora deixa. Foi de uma regularidade e segurança impressionantes. Numa equipa em que até os jogadores de 27 anos parecem inexperientes e em que o capitão é o Herrera, Casillas e Marcano foram fundamentais na manutenção da equipa na luta até ao final.

Este é o segundo mago argelino que por cá passa e não deverá deixar tantas saudades como Madjer. A falta de títulos também não iria ajudar, mas Brahimi é claramente o jogador que todos procuram quando é preciso fazer alguma coisa impossível. Num esquema de jogo absolutamente castrador do talento individual ofensivo, Brahimi foi um oásis no nosso futebol. E fê-lo mesmo depois de ter sido usado pelo treinador como exemplo, para que pudesse afirmar a sua autoridade perante o grupo. É interessante constatar que estes treinadores fraquinhos nunca escolhem jogadores fracos para exercer a sua autoridade. 

Marcano é a nossa escolha para MVP da temporada do FCPorto. Já o fomos antecipando ao longo da temporada porque era claro que era o elemento que mais se destacava em termos de consistência de rendimento. Felipe pode ser mais vistoso e faz questão de o ser, mas o verdadeiro craque da nossa defesa é mesmo Marcano. Quem diria depois de uma época anterior em que falhou sempre nos momentos decisivos. Teve o equilíbrio perfeito entre impetuosidade e serenidade de acordo com o que a equipa ia precisando. Merecia o título!

Menção honrosa para Oliver. Há sempre Oliver ou Brahimi nos nossos melhores momentos. Por que será?

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Despedida/o



Se há coisa que a equipa demonstrou sempre durante a época foi empenho máximo. Sempre, até hoje. Pareceu-nos que esse era um sintoma de que, apesar de todas as bizarras opções do treinador, pelo menos tirava empenho dos jogadores e estes estavam com ele. Hoje já não estou tão certo disso. Será que o que se viu hoje é fruto da descompressão ou é um sinal de que até os jogadores estão fartos de Nuno Espírito Santo? Só podemos conjecturar... Posso dar apenas a minha opinião. Para mim chega! 

É esta a atura certa para decidir estas coisas. Nos próximos dias há que perceber se é este o rumo que queremos. Se queremos um treinador que nos deu o 'quase' e se acreditamos que ele será capaz de melhor num campeonato menos inquinado. Mas o segredo para a decisão está aqui. Este foi um campeonato inquinado, mas foi também um campeonato em que nenhum dos candidatos ao título jogou um futebol sequer convincente. Importa portanto saber se o treinador fez tudo o que se lhe exige para ser campeão? Tem atenuantes, mas é claro que não! Podemos jogar muito mais. Podia e devia ter tirado mais dos jogadores ofensivos e não apenas dos defensivos. Chegamos ao final da época sem saber como a equipa joga. Lembram-se dos desenhos? Mais concretamente do que Nuno dizia enquanto rabiscava? O FCPorto jogou assim em dois ou três jogos. Ainda ontem estreamos uma táctica ofensiva nova com dois extremos que procuram muito mais o meio do que a linha e com uma troika de médios de transição em vez de médios criativos. Nuno estava com medo do que poderia acontecer com a descompressão... É este o pior defeito de Nuno Espírito Santo. Está sempre mais preocupado com o que mal que nos pode acontecer, do que com o mal que podemos infligir no adversário. Vistas curtas para um treinador do FCPorto.

Quanto ao jogo, foi um desastre. Um zero de ideias e resultado justo. Pior que o resultado foi o facto de, graças ao inexplicável Arouca, nem sequer termos conseguido descer o Tondela. São sempre 6 pontos garantidos para um adversário directo...

Individualmente, não dou MVP porque foi tudo muito mau. Mas há que destacar a tenebrosa exibição de Felipe. Mas os colegas não andaram longe...

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Ressaca


Agora que tudo ficou decidido e que a classificação está fechada gostaria de enaltecer o papel dos adeptos, este ano. Não foi fácil sair de casa para ir ao Dragão num dia de ressaca como o de ontem. Tal como foi acontecendo ao longo do campeonato, os adeptos estiveram lá para apoiar. É algo de que Nuno Espírito Santo não se poderá queixar. Os adeptos estiveram sempre com a equipa e com ele, apesar de todas as recentes desilusões. Posso tentar ignorar esta história dos Colectivo, enquanto não se souber exactamente o que se passou. Mas a ser verdade que teve a ver com a intenção de impedir que passassem tarjas com frases de protesto, seria especialmente grave num ano em que as coisas correram especialmente bem. Quanto à outra claque, já sabemos que vamos estar na lista de multas desta semana.

Importa perceber porque é que os adeptos foram mais compreensivos do que nos anos anteriores. Muitos dirão que se deve ao facto de termos estado na luta até à penúltima jornada. Também estivemos perto no primeiro ano de Lopetegui e isso não impediu uma contestação bem superior no caso do espanhol. Também não me pareceu que a exigência tenha sido inferior. Os nosso níveis e exigência mantém-se bem altos, mesmo num ano em que muitos reconhecem que teríamos, à partida, o plantel com menos soluções dos 3 grandes. O que me parece é que Nuno, apesar de não ter conseguido tirar o máximo rendimento da equipa, conseguiu tirar o máximo comprometimento dos jogadores, e os adeptos souberam reconhecer isso. E depois temos talvez o factor principal que é sentimento de injustiça que todos sentimos este ano. Este foi um campeonato demasiado inquinado para que se possa estabelecer com rigor comparações com o Campeão. Seria a mesma coisa que comparar os tempos entre uma corrida de 100 metros com uma de 110 metros com barreiras. É certo que nós derrubámos algumas barreiras, mas é mais fácil correr sem as ter pela frente... Por isso não darei nunca os parabéns a um Campeão destes. Nem Nuno o deveria fazer.

Individualmente, foi um jogo muito atrapalhado e sem grandes destaques idividuais. Gostei de Otávio, Herrera e das entradas na segunda parte de Jota e André Silva. Casillas ainda teve de fazer algumas defesas difíceis. Pela negativa as opções iniciais de Nuno que lançou a confusão táctica na equipa, com um esquema diferente estreado na penúltima jornada.

Na próxima semana, a equipa terá mais uma oportunidade de agradecer aos adeptos o apoio que tem sido dado.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Feito



Terá sido o 'canto do cisne', este empate na Madeira. O campeonato está praticamente perdido. Isto apesar de continuarem a ser muito poucas as diferenças entre o FCPorto e o seu adversário. Ficou mais uma vez claro neste fim-de-semana. O Marítimo marca de canto na única oportunidade de golo que teve em 90 minutos e o Rio Ave não concretizou nenhuma das suas várias oportunidades para marcar e nem lhes permitiram tentar concretizar um penalty claro sobre o nosso miúdo Rafa Soares. Tem sido bastante frustrante acompanhar o FCPorto este ano. Por um lado,  a equipa tem apresentado índices de entrega ao jogo e de resiliência que são assinaláveis. No entanto, o futebol que temos apresentado é constantemente medíocre! Já sei que me vão dizer que o futebol do mais que provável Campeão, apesar de todos os milhões gastos e de todo o colinho, não é melhor. Concordo mas não é algo que me traga consolo algum...

Não tenho consolo, nem tenho grande esperança no futuro próximo. Pode ser do estado depressivo, que tem sido habitual por esta altura nos últimos 4 anos, mas a próxima época parece-me estar inquinada à partida por dois factores fundamentais. Há muito tempo que foi anunciada, em sede de orçamento, que o plantel deverá sofrer grandes baixas para obter encaixe financeiro. Estou a pensar que Danilo e Brahimi serão baixas certas, mas não excluo a possibilidade de vendas prematuras de André Silva e Ruben Neves. Mas o que me preocupa mesmo é a manutenção de Nuno Espírito Santo. Muitos defendem que estivemos na luta graças ao nosso treinador, mas há muita gente que acha que estivemos na luta apesar dele. No meio andará a verdade, mas eu tendo mais para o 'apesar dele'. Porque eu sou daqueles adeptos que gosta de um futebol autoritário, com bola, com uma equipa que não recorre a futebol directo, com um futebol que consiga tirar o melhor proveito de todos os seus jogadores mais talentosos e não apenas de um único jogador a quem se entrega toda a responsabilidade de criar coisas diferentes, normalmente Brahimi. Ora nem na nossa melhor fase tivemos desempenhos plenamente satisfatórios. Lembro-me de um jogo em que jogámos um futebol parecido ao que aprecio e foi o jogo com o Leicester. Nunca mais voltei a ver um futebol assim. Nem mesmo quando ganhámos uma série longa de jogos. Nessa série tivemos exibições bem tremidas como a vitória em casa com o Rio Ave, em que tivemos cerca de 45% de posse de bola. Impensável para o um FCPorto que se quer autoritário no Dragão. Já sei que não se vai dispensar um treinador que perde o campeonato por poucos pontos, num ano que em que as manobras de bastidores têm tido uma influência escandalosa. Mas, na minha opinião o crime vai compensar a dobrar. Ganham o campeonato e, por sorte, garantem que o ponto mais fraco do adversário se mantem.

Nuno voltou a desiludir na Madeira. As opções iniciais foram estranhas, desde a exclusão de Layun por um miúdo que nunca tinha jogado, à titularidade de Herrera. As exibições destes dois não foram más mas nunca saberemos o que seria se entrássemos em jogo verdadeiramente para ganhar e com todas as nossas melhores armas. É até ridículo acabar o jogo com 3 pontas-de-lança. Quando se joga essa opção é dizer à equipa: «desisti de ganhar o jogo com táctica». Depois tira Otávio, que estava a ser o melhor, mexe no jogo tarde e numa altura em que não estávamos a conseguir aproveitar o espaço para contra atacar. Jota teria sido uma opção para explorar esse jogo e que funcionou bem em Guimarães. Em suma, o  Marítimo foi feliz mas o FCPorto «pôs-se a jeito».

Individualmente, a equipa não chegou a apresentar um futebol convincente mas, quando se aproximou de o fazer, foi através de Otávio. O miúdo teve uma boa estreia num jogo muito difícil. Pela negativa, Felipe e Soares. É preciso muito cuidado com o que se faz destes dois jogadores. Já sei que é difícil criticar perante o rendimento global dos dois, mas é preciso ver o seu rendimento quando a exigência aperta. Nessas circunstâncias Felipe só manda bolas para a bancada e leva amarelos estapafúrdios. Soares, por sua vez, faz falta em todos os lances que disputa. É irritante sobretudo naqueles minutos finais em que perdemos metade das bolas bombeadas, em faltas ofensivas. O próprio Alex Telles tem tido uma tendência para erros em alturas cruciais. Vejam a forma como cede o canto que nos tirou dois pontos.

Há mais dois jogos para honrar a camisola. É o mínimo que se exige!

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Esperança


Depois de termos a prova de Chaves superada com nota positiva, continuamos com uma esperança ligeira. É uma esperança que aumenta e diminui de portista para portista. Os portistas que viram o adversário a permitir mais oportunidades em 10 minutos num jogo em sua casa do que o FCPorto nos últimos 5 jogos no Dragão têm mais esperança. Os que apenas vêem resumos e consultam a classificação têm menos. Os que tentam comparar calendários concluem que, agora, o nosso parece mais vantajoso. Os que vêem a forma como este campeonato tem sido cozinhado através de sinais como o infame castigo de Brahimi e a gritante disparidade de critérios arbitrais acredita menos. Uma coisa é certa: no final do próximo fim de semana teremos uma boa ideia sobre se teremos ou não campeonato até ao fim. Ambos jogam em campos muito complicados e nesses dois campos joga-se o título e o acesso à Liga Europa. Força Rio Ave!

Vamos ao jogo. As lesões e castigos trouxeram a obrigatoriedade de mudar a equipa. Nuno resolveu mudar ainda mais e tirou da equipa os jogadores que mais têm vindo a cair de produção: Oliver e André Silva. Se no primeiro caso a quebra pode ser física, no segundo a culpa é do próprio Nuno Espírito Santo. É aquela velha táctica de resolver o excedente de soluções com a colocação de um dos jogadores em locais que não o favorecem e esperar que seja o próprio público a exigir que ele saia da equipa. É uma 'chico espertice' clássica, mas no entretanto empatámos três jogos... Abordarei este assunto no final da temporada mas, independentemente do resultado, direi que Nuno tem muita responsabilidade no facto de termos chegado a Abril dentro da luta. Mas as suas limitações surgiram hiperbolizadas neste período em que não conseguimos 'dar a estocada final'. Esperamos que o consigamos agora nestes últimos três jogos.

Houve portanto muitas mudanças no onze, do meio campo em diante. As mudanças no meio campo foram as que tiveram efeitos mais proveitosos. Ruben dá outra fluidez ao nosso jogo e Otávio é hiperativo e está sempre em jogo, seja a tocar, seja a assistir, seja a picar o adversário, seja a levar pancada. Já tínhamos saudades deste menino. Na frente, Jota e Corora deram velocidade, mas pouco mais. Não estiveram muito inspirados. O jogo ganhou-se a meio campo, pela dinâmica e pelas bolas que se ganharam no campo adversário. O maior exemplo é o primeiro golo que é uma segunda bola ganha na raça pelo André André, num momento em que até estávamos a reclamar mais um penalti não assinalado. Boa vitória, mas não convem esquecer que voltámos a demonstrar muito pouca produção ofensiva numa das partes. Lembro-me apenas dos livres de Ruben Neves.

Individualmente, nota muito alta para todo o meio campo e MVP claro para André André. Gostei também mais de Jota do que de Corona. O resto são notas regulares. Apenas uma nota negativa para Maxi. Não lembra a ninguém aquela entrada, sabendo do nosso habitual tratamento arbitral.

No próximo fim-de-semana somos nós a jogar antes. Há que pôr pressão alta no jogo de Vila do Conde!