segunda-feira, 25 de abril de 2016

De volta aos serviços mínimos...



Primeira vitória da pré-época fora de casa e terceiro lugar garantido… Uau! Não fosse a Taça de Portugal e a motivação que é necessária aparecer com bons resultados e exibições para chegarmos ao Jamor com boas possibilidade de trazer o caneco e quase que me veria a torcer por maus resultados até ter a certeza que Peseiro não vai ser opção para a próxima época.

Bem, voltando ao jogo. Repetição do onze da jornada anterior com alteração do guarda-redes (lá está, para ganhar rotinas para a final do Jamor). O Porto entrou mandão, muita posse de bola e subida declarada dos laterais com Rúben Neves também mais subido, arrastando Sérgio e Herrera para posições mais avançadas no terreno e não permitindo grandes trocas de bola à equipa adversária, obrigando-a a um futebol mais direto.

E contra a corrente do jogo e num desses lances de futebol direto, a Académica ganha um livre que Pedro Nuno (o tal que dizem ser da formação do slb mas só lá esteve um ano de juvenil e um ano de júnior) concretiza para o lado que deveria ser protegido por Helton… Mas pronto, vou dar de barato e entrar na onda que foi um grande golo e não referir que Helton estava mal posicionado.
No período de menor fulgor do Porto e quando parecia que iríamos entrar no marasmo de ideias depois de estarmos em desvantagem, Rúben Neves mostra que Danilo tem que ser vendido por 20M porque temos de aproveitar um miúdo de 19 anos que pode construir jogo, que arrisca no passe, que é feliz nos remates e, acima de tudo, é NOSSO (bem, quase todo já que deram 10% do passe a um familiar qualquer da SAD). Qual a equipa que se pode dar ao luxo de construir com um 6 sem ter de estar à espera que venha um 8 recuar no terreno para pegar no jogo?

Reatando a partida, o Porto continuou a procurar o golo e o quanto eu desejei que aquele segundo golo tivesse um toquezinho do André, vi umas 20x a repetição à espera de encontrar uma câmara que mostrasse o desvio da nossa próxima referência na grande área mas não posso dizer que encontrei. O miúdo precisa de golos para mostrar aos mais cépticos que ele, Rúben, Rafa, André André, tem que ser titulares no próximo ano… Já que é para ficar em terceiro e é, aos menos ficamos com os nossos!

Até ao fim, uma reacção normal da Académica que podia ter resultado no golo do empate, principalmente com aquele ‘charuto’ à trave.


Para sábado, não podemos facilitar… ou então se me garantirem que o slb não é tricampeão podemos perder por um :-)

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Em branco


Finalmente um jogo com o adversário 'em branco'. Se pensavam que, no título, me referia ao meu sentido de voto nas eleições de ontem, é porque não foram lá ou ainda não se informaram sobre o curioso método de votação que tivemos...

De volta à inexistência de golos sofridos no Dragão é, de facto, assinalável. Poderão reparar que, com Peseiro, apenas tinha acontecido duas vezes: na estreia e em Setúbal. Sempre com uma aflitiva vantagem mínima. Ora ontem, fizemos de tudo para que não passássemos por aflições e isso foi fundamental. Já sabemos que a equipa não está capaz de 'se segurar' quando a incerteza se prolonga e resolveu com uma entrada forte. Será essa a receita para os próximos jogos. Poderão falar numa invulgar eficácia nos primeiros minutos e com razão. Mas a equipa não pareceu acomodada a essa vantagem inicial e foi carregando sobre o adversário, tornando o 4-0 num resultado curto para o que se viu. Melhor exibição de Peseiro, sem dúvida. Mas agora já não há grande pressão...

Por falar em Peseiro, ele apresentou um onze de 'campanha eleitoral'. Muitos portugueses, e os nossos miúdos Sérgio, Ruben e André no onze titular. O público gosta, mas isto só é possível nesta fase de pré-época que atravessamos. Não digo que eles não tenham valor, mas os treinadores só os vão buscar em alturas de crise e para agradar. Eu prefiro uma aposta séria e baseada no talento. Dou o exemplo de Ruben Neves. Para mim, o resultado de 4-0 não é alheio à presença de Ruben Neves na posição 6, sozinho. Digam o que disserem das exibições de Danilo, é uma questão de ideia de jogo. O treinador tem de decidir se quer ali um organizador ou um destruidor. E Lopetegui, que até tinha um sistema mais carente deste tipo de jogador, optou por Casemiro e por Danilo. São decisões. Por mim ele era sempre titular. Tal como Rafa o deverá ser quando regressar. Já André Silva, é um caso diferente. Não será já um titular mas convem que vá participando nos jogos e, de vez em quando, ter oportunidades em jogos como o de ontem. Aí concordo com a gestão de Peseiro do jogador. 

Individualmente dou o MVP a Herrera apesar de ter gostado do contributo de Ruben Neves. Notas boas para Maxi, Corona, Angel e Varela. André Silva teve uma boa estreia a titular. Não marcou mas esteve sempre em jogo e teve boas finalizações. Danilo não comprometeu, algo que me surpreende, porque não tenho gostado das suas exibições a central.

Siga a pré-época!

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Escavando


Parecia inevitável... Quando se diz que se atingiu o fundo, a seis jornadas do fim do campeonato, é normal que um novo desaire resulte em trocadilhos fáceis. Imagino até que deve ter havido uma reunião de emergência nas redacções da Cofina para decidir qual a melhor tirada com a palavra 'fundo', para pôr na capa. Saiu fraquinha... Mas nesta altura, pouco importa. Temos aqui colegas do blog qua ainda têm capacidade para se indignar e ontem tivemos uns vídeos porreiros na nossa conta de facebook. Eu, pelo contrário, acho que já perdi a capacidade de me indignar com o FCPorto deste ano. Estou num estado dormente. Anestesiado. E digo que perdi essa capacidade sem certeza absoluta, para não cair na mesma armadilha que o Presidente, quando disse que batemos no fundo. É que parece que continuamos a escavar...

O jogo com o Paços foi mais do mesmo. Nesta altura é difícil exigir respeito a quem seja, quando apresentamos estes índices de exibição. O jogo de ontem, tal como o do Tondela, poderia ter resultado na vitória do FCPorto. Mais remates, mais ataques, mais bolas paradas ofensivas, mais vontade de atacar e ganhar o jogo. Mas chega? Se chegasse, não tínhamos duas derrotas seguidas, contra o último e contra uma das duas piores equipas da segunda volta. Exige-se mais! O treinador do Paços sentiu que podia festejar efusivamente no meio dos adeptos. Com este futebol, não tarda e estará a passear o seu estilo faroleiro, pelos relvados e pântanos da segunda liga... Mas este é mais um sintoma do que pode acontecer a um FCPorto fraco. Os abraços na área dos nossos adversários, já não dão grande penalidade, por muito claros que sejam. E as vitórias destas 'equipinhas de pontapé para a frente', perante um grande, já não são encaradas com humildade. Para quê? Este FCPorto não assusta! Dentro e fora de campo. É mais uma das considerações a tomar no planeamento da próxima época. Temos de mudar muito dentro e fora do campo.

Quanto ao jogo, pareceu marcado pela entrevista do Presidente. Não fica claro o motivo da não convocação de Aboubakar e parece que a opção de divisão de minutos entre Corona e Brahimi vai pelo mesmo caminho. Dá a ideia que o primeiro está dispensado e que os outros dois terão de batalhar pelo lugar de 'brinca-na-areia' do próximo plantel. Peseiro tomou as palavras do Presidente demasiado à letra... A cada jogo que passa, torna-se cada vez mais inevitável a alteração de equipa técnica para o próximo ano. Quer pela penosa comparação de números com Lopetegui, que já de si não apresentava números satisfatórios nesta época, quer pela constatação que, passados todos estes jogos, nada melhorou do futebol que se vê em campo, cuja pobreza, vai bem além dos fracos números.

Destaques positivos, não tenho, nem quero perder tempo a encontrar. Registo apenas que Layun apresenta problemas físicos claros, que Chidozie está ainda bem aquém do potencial que apresenta e que este meio-campo não apresenta criatividade alguma. Desde de que perdemos André André, só temos transpiração e essa,  nem tem chegado. Foi pena o miúdo não ter conseguido marcar e registei que o Ruben Neves ainda deve estar à espera que o Peseiro se decida quanto à sua entrada no jogo. Foi também engraçado perceber que Peseiro fez duas substituições de desespero, que Lopetegui fazia, na altura de maior desnorte, que acabou por o afastá-lo do clube. Engraçado... Ainda conseguiu implementar a proeza técnico-táctica de trocar de laterais a 5 minutos do fim. 

Siga a pré-época!

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Entrevista em telegrama


Vai haver limpeza de balneário - stop - Batemos no fundo e a culpa é minha, porque confiei num treinador espanhol malfeitor - stop - O FCPorto não tem poder de mercado, nem para negociar comissões - stop - Peseiro está a ajudar na lista de dispensas e deixaremos a discussão da sua própria dispensa para o fim - stop- No próximo mandato vamos apostar nos miúdos e há alguns que vão regressar já - stop - Esta é uma lista de continuidade, mas temos de excluir dessa continuidade o último mandato - stop - O negócio Meo vai permitir uma maior estabilidade do plantel, depois da razia que se avizinha.

Esta ideia do telegrama surgiu porque achei a entrevista curta. Mas aprecio o facto de ele sentir a necessidade de dar alguma satisfação aos adeptos e nem vou explorar muito as contradições  e imprecisões que detectei. É um passado recente e doloroso, mas importa-me mais a estratégia de relançamento do clube. Cá estaremos para avaliar a revolução que se impõe e ainda acredito que Pinto da Costa é o homem certo para a implementar.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Virados para a tribuna



Desde que Lopetegui deixou de ser a raiz de todos os males, os meus colegas de bancada deixaram de virar o seu descontentamento para o treinador e passaram a virar-se para a tribuna presidencial. É certo que Lopetegui também era parte do problema e era uma parte grande. Mas sabemos agora que a solução encontrada foi ainda pior. Tivemos uma aposta num treinador que pouco fez para aqui chegar, que não entusiasma ninguém e, para piorar, tivemos em Janeiro uma revisão 'em baixa' do investimento no plantel. Isso revolta os adeptos! Todos estamos conscientes que devemos pedir mais a uma equipa do FCPorto. Mas fica a dúvida se podemos pedir mais a Peseiro, do que o que pedíamos a Lopetegui, que começou a época, que construiu o plantel e que, exceptuando a comparação entre Suk e Osvaldo, tinha melhor plantel. Por estas razões, até acho que se exigia mais a Lopetegui, mas não consigo ilibar Peseiro por completo. Sempre o defendi aqui. Peseiro, pressionado pela direcção e pela entrevista do Presidente, sentiu que tinha de mudar tudo de uma vez. Foi um revolução que pouco mudou para melhor. A equipa não sai desta espiral de desconfiança e não sairá com Peseiro no banco. 

Por isso é que os sócios se viram para a tribuna. É até curioso perceber que bastam 3 anos de insucesso para que a crítica chega finalmente ao topo da pirâmide, Pinto da Costa. Outrora impoluto, já não se consegue esconder atrás desse mecanismo de protecção que é a SAD.  Normalmente há três degraus de contestação: 
1º - Treinador e jogadores - normalmente o primeiro; 
2º - SAD - o habitual símbolo do 'tachismo' e 'comissionismo';
3º - Presidente - ainda intocável, mas agora passível de crítica.

Notaram como foi rápida a escalada até ao terceiro? Bastaram 3 meses de maus resultados, porque em Dezembro ninguém falava disto. Foi bem mais rápido do que o que se esperava. De facto eu nunca percebi como era possível dissociar a SAD do Presidente. É negar a Pinto da Costa todos os atributos de gestão que lhe reconhecemos. Quantas vezes não ouvimos a expressão de que 'toda a gente mama à volta dele'? Alguém acredita que há alguma decisão que não passe pelo Presidente? E depois este argumento das comissões, do filho e do 'football leaks'. Isto valia 'zero' se a bola estivesse a entrar. Tudo seria normal... Pelo menos estes resultados servem para que se questionem as opções, para que se exija que isto tem de ser gerido como um clube, que tem sócios, e não como uma 'cash cow', que dá dinheiro a toda a gente menos ao clube e à base de sustentação de um clube desportivo e a razão da sua existência, que são os sócios e os adeptos.
 
Quanto ao jogo, poderão ler as crónicas dos jogos anteriores. Nada foi diferente a não ser o facto de a nossa incapacidade para concretizar ter sido ainda pior do que nos jogos anteriores. Direi apenas que Corona foi o que mais batalhou contra o marasmo e que Casillas podia ter feito bem melhor no golo sofrido.

Temos 6 jogos para preparar a final da Taça e 3 meses para preparar a próxima época. Mãos à obra!

domingo, 20 de março de 2016

15 dias de descanso


Para os portistas que não conseguem deixar de seguir e torcer pelo nosso FCPorto, até vai ser saborosa esta pausa para as selecções. Pelo menos são 15 dias sem aflições. Quinze dias sem ter de ver o Chidozie ou o Indi perdidos atrás dos avançados, ou o Casillas com ar de estupefacção depois de mais uma bola que não entra milagrosamente, ou o Brahimi a tentar passar por meia equipa adversária, ou o Aboubakar a falhar displicentemente mais um golo. É que tem sido cansativo! Nada é fácil para este FCPorto e o que aparenta facilidade, logo se complica, como em Belém, como no Sábado no Dragão, ou ontem. 

Até podemos tentar destacar os pontos positivos. Casillas não sofreu golos, o Sérgio aparece agora como solução e o Corona fez o seu primeiro bom jogo em meses. São apenas pequenos sinais que não afastam de todo a noção de que está para acontecer alguma coisa a este FCPorto, a qualquer altura. Por muito que o jogo até esteja a correr bem. A equipa não está confiante nem consegue ganhar confiança no próprio jogo. Peseiro, tal como Lopetegui, também não transmite qualquer tranquilidade para dentro de campo. Ele também é dos que precisa mesmo de descansar. E já agora, convem não esquecer que estamos com uma onda de lesões que poderá amenizar até ao jogo com o Tondela. Aí teremos de melhorar o desempenho. 

Individualmente, dou o MVP a Danilo. É o jogador em melhor forma nesta altura. Poderia também atribuir ao Sérgio Oliveira que também esteve bem e marca o golo da vitória. Corona voltou a fazer um bom jogo, finalmente. Maxi também tem nota positiva. Brahimi e Herrera continuam muito intermitentes dentro do próprio jogo. Sobretudo o Argelino que começou por ser dos mais desequilibradores e que no final caiu muito. A dupla de centrais esteve melhor e só houve dois deslizes do miúdo. Por mim esta era a dupla até ao final da época. Há que pensar no futuro e o miúdo precisa de jogos para ganhar 'calo'. Pela negativa, Layun esteve muito apagado.

Esta equipa precisa de um bom resultado para sair desta depressão e, se o calendário nos dá um jogo em casa com o último, só temos de aproveitar.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Volta Lopes!


É um título polémico, eu sei. Mas passou-me pela cabeça enquanto subia a alameda e não me saiu da cabeça desde então. Esta nova era com Peseiro ao leme tem sido uma 'montanha russa' de emoções. Não há um jogo com resultado previsível. Somos capazes de ganhar no campo do primeiro classificado, no único jogo que perdeu nos últimos três meses, para depois estragar tudo em Braga com uma exibição de qualidade semelhante, mas que correu pior. O FCPorto actual parece a caixa de chocolates do Forrest Gump. Dirão que Peseiro, com a herança que tem e com os jogadores que tem, não tem os ingredientes para fazer grandes chocolates. Mas certamente que podia fazer melhor do que este futebol aleatório.

Reparem no historial. Fez um bom jogo no Estoril numa vitória inequívoca e outro bom jogo em Barcelos. Tudo o resto foi sempre em sofrimento com 16 golos marcados e 12 (!?) sofridos, 6 dos quais em casa. Aqui está também um factor importante: o Dragão não assusta. O Marítimo deu logo uma amostra do que aí vinha e, Arouca, Moreirense e União da Madeira vieram confirmar que não há qualquer estratégia ou rotina de transição defensiva. Digam o que disserem do treinador anterior mas, com ele, não havia disto. E depois a conversa é sempre a mesma: agora arriscamos mais. Será verdade? Se calhar temos mais oportunidades de golo e, mesmo sem dados que o comprovem, até acredito. Mas os números não mentem: marcamos sensivelmente o mesmo número de golos por jogo e sofremos mais do dobro. O Presidente falava , deselegantemente na minha opinião, sobre o futebol de Lopetegui como sendo lateralizado. Mas será que Lopetegui chegou à conclusão que, com os jogadores que tinha, teria de jogar assim? É que está mais que provado que estes jogadores, sem bola, não se sabem posicionar, não têm qualquer noção do que é o posicionamento defensivo em transição. E neste ponto não há um único jogador que se destaque da mediocridade, nem Danilo.

Quando aqui desejei a substituição de Lopetegui, sabia que provavelmente a época estaria perdida. Há sempre alguma esperança, mas não existe memória de uma 'chicotada' que tenha resultado no FCPorto. Estava armado em Anjinho, e estava convencido que viria uma solução de médio prazo. Um pouco como aconteceu com Mourinho, que teve vários meses para preparar a época seguinte. Posso já dizer que chego à conclusão que eu estava errado. Se soubesse o que sei hoje, não tinha 'despedido' Lopetegui. Por várias razões:
1 - Estado do mercado de treinadores - Eu acho que tenho desculpa por não ter todos os dados. Nunca pensei que a melhor opção no mercado fosse José Peseiro. Ainda por cima, José Peseiro veio confirmar todas as minhas reservas em relação a ele e que escrevi em cima e todas as semanas. Deixou-se pressionar pela direcção e pelas bancadas e resolveu fazer uma revolução na nossa maneira de jogar. Hoje em dia temos o pior de Lopetegui e o pior de Peseiro. Perdemos a segurança defensiva e mantemos a total ausência de ideias perante adversários fechados em redor da sua área. 
2 - Desculpabilização da Direção e do Presidente - Nunca pensei que a estratégia fosse a de branquear a actuação da direcção concentrando todos os males do mundo no anterior treinador. Anjinho, mais uma vez. Se calhar a eterna gratidão a Pinto da Costa tem ajudado, por vezes, a toldar o meu e nosso raciocínio. Mas começo a ter a certeza de que nós portistas não podemos baixar o nível de exigência, meramente por gratidão. Pinto da Costa como grande líder que é, tem de aceitar que se lhe apontem erros. A política de gestão de treinadores nos últimos anos, tem sido de uma inconsistência absurda, vindo de uma pessoa tão experiente. Em primeiro lugar deixou que o fantasma de André Villas Boas atormentasse todos os treinadores até hoje. Vitor Pereira teve de viver com isso e com a constante e total incerteza sobre a sua continuidade. Mas esse foi o único que conseguiu lidar com isso. Paulo Fonseca pouco mandou na definição do plantel, mas Lopetegui pôde fazer tudo. Com Peseiro parece que voltámos aos tempos do treinador que não 'risca' nada. Enfim, não há rumo algum! E depois nós temos essa sensação porque nos levam a essas conclusões, mas não é difícil perceber que não foi Lopetegui que trouxe Adrian Lopez, ou Imbula ou Osvaldo ou até Aboubakar, Indi, Brahimi e Corona. Posso até confessar que sei que, em vez de Corona, Lopetegui insistiu sempre em Rafa. Porque é que aceitaram a opinião dele para o Ferrari francês e não aceitaram para o Fiat de Braga? Pinto da Costa calou os anseios de Lopetegui dizendo em público que tinha no plantel um jogador que relegou Rafa para o banco de suplentes no Europeu de sub21. Lembram-se dele? Ricardo Pereira, considerado um dos melhores laterais da liga francesa, emprestado por dois anos ao Nice, pela equipa que tem de jogar com Jose Angel a titular. A culpa era só de Lopetegui? 'I rest my case'...
3 - As mexidas no plantel - Uma das desculpas de que dispõe Peseiro é a de que teve problemas no eixo da defesa e que agora só tem Maregas no banco. De facto, Peseiro herdou uma fúria reformadora que empurrou 4 flops para fora do clube: Tello, Imbula, Cissokho e Osvaldo. No seu lugar entraram apenas Marega e Suk. Apenas o segundo demonstrou ser uma solução mas, na minha opinião, é apenas uma boa opção de banco. Ainda assim, que se saiba, Peseiro não se opôs a nada disto. Quando lhe perguntaram sobre mexidas de mercado, nem sequer falou de centrais, algo que estava à vista, antes mesmo do caso Maicon. Não tendo aqui falado sobre o assunto, tenho de dizer que Peseiro foi o treinador que deixou cair o Maicon, sabendo que só tinha duas alternativas no plantel. Que eu saiba ele não é o único que não controla o twiter da esposa, o presidente que o diga... Foi grave o que ele fez? Óbvio! Mas o que é que o clube ganhou com a sua saída? Preocupações. Espero mais de Peseiro, de Antero e de Pinto da Costa, do que uma mera gestão emocional do clube. Era tão fácil dizer que ele estava mesmo lesionado e que era uma prima que escrevia na conta do twiter... Seriam desculpas esfarrapadas? Certamente, mas não nos tentaram convencer que o Adrian custou aquele dinheiro todo, porque um gestor com mais 30 anos de experiência, aceitou letras e acreditando na palavra de um empresário? Mais uma vez, 'I rest my case'...

Isto para mim é o suficiente para considerar uma outra opção para a liderança da equipa técnica no próximo ano. Peseiro provou que não consegue ter relevância nas decisões sobre o plantel e que não consegue provar em campo que é melhor que as soluções anteriores. Espero bem que, se ele não continuar, não passe a concentrar em si todos os males do mundo...

Para terminar, e isto hoje já vai longo, individualmente tenho dificuldades em destacar alguém. Talvez Herrera e Maxi pelo desempenho ofensivo, mas defensivamente... Todos um desastre. A começar em Corona que tem uma única jogada boa no jogo e que valeu três pontos. 

Em Setúbal voltamos a estar longe do Dragão. Os desempenhos têm sido claramente melhores...

domingo, 6 de março de 2016

Adeus


Há muito que parecia inevitável e só uma inesperada e saborosa vitória na Luz ajudaram a prolongar a esperança. Mas sejamos realistas: há muito que se percebeu que Peseiro não consegue implementar uma ideia de jogo que seja. Eu costumava dizer que Lopetegui tinha ideias más, mas que se notava em campo o que ele queria. Aquela ilusão inicial de que passávamos a jogar mais com o miolo foi desvanecendo e ontem pouco mais fizemos do que bombardear bolas para Suk ou esperar que Brahimi resolvesse. Logo dois jogadores que foram dos melhores, mas foi curto e é curto para uma equipa como o FCPorto. O facto de termos reforçado o meio campo ajudou a que tivéssemos menos aflições do que o habitual, mas faltou o ataque. Chegava a cansar ver o Suk, feito 'tolinho' atrás das bolas. Entrar em campo apenas com dois jogadores de características ofensivas é limitado face à história do FCPorto e até face ao facto de que só a vitória nos interessava. Assim, não fosse o erro comprometedor de Marcano, o jogo aproximava-se do empate a zero que não nos interessava. Assim que sofremos o golo voltaram as auto-estradas em direcção à nossa baliza típicas do futebol desequilibrado de Peseiro. Aproximam-se decisões difíceis no final da época. O treinador é uma delas mas há alguns 'titulares' para dispensar.

Mas é óbvio que que a minha avaliação a Peseiro e à equipa seria adiada até ao próximo desaire se não tivéssemos de lidar com a 'encomenda' Xistra. Não jogámos o suficiente, mas o Braga teve um 'empurrãozinho'. As quatro primeiras 'pauladas' dos laterais do Braga saíram impunes. Penaltis, nem vê-los. O Braga, tão elogiado ao longo da época, teve a primeira jogada de perigo perto dos 25 minutos de jogo e num lance precedido de falta clara. Enfim, algo que já temia na nomeação da jornada anterior mas que só se concretizou nesta. É de relembrar que houve um jogo em Guimarães apitado por este 'artista' que me ajudou a perceber que, de facto, o maior candidato ao título era o que estava em terceiro nessa altura. Confirma-se hoje e pelas mãos do mesmo tipo. Vitor Pereira não nos vai deixar saudades mas o Xistra, o Capela, o Rui Costa, o Tiago Martins, o Cosme, o Ferreira de Vizela, ficam cá para nos 'atazanar' no dia em que saem as nomeações. Seja quem for a nomear, seja por sorteio, os gajos estão aqui na primeira categoria. Um bom trabalho, de facto.

Individualmente, Suk e o MVP Brahimi tentaram remar contra as 'cacetadas' e contra a constante inferioridade numérica. Danilo continua imponente mas precisa de treinador para ser ainda melhor. Marcano teve um erro que garantiria a Chodizie o regresso prematuro à equipa B. Espero que se comece a preparar a próxima época com o miúdo ao lado de Indi para ganhar 'calo'. Outro jogador que me parece que tem de sair da equipa é Herrera. É aflitiva a falta de consistência, que se aceita no início, mas que agora parece irremediável. André continua desaparecido e nos últimos dois meses, só o vi no Estoril. Corona e Marega são de uma inutilidade assustadora. Muitos dos problemas defensivos da equipa passam pela excessiva projecção dos laterais. Ambos atacam bem mas expõem demasiado a equipa. O lance de Casillas já nem conta. Ele foi um dos que manteve o sonho 'aceso'.