domingo, 20 de março de 2016

15 dias de descanso


Para os portistas que não conseguem deixar de seguir e torcer pelo nosso FCPorto, até vai ser saborosa esta pausa para as selecções. Pelo menos são 15 dias sem aflições. Quinze dias sem ter de ver o Chidozie ou o Indi perdidos atrás dos avançados, ou o Casillas com ar de estupefacção depois de mais uma bola que não entra milagrosamente, ou o Brahimi a tentar passar por meia equipa adversária, ou o Aboubakar a falhar displicentemente mais um golo. É que tem sido cansativo! Nada é fácil para este FCPorto e o que aparenta facilidade, logo se complica, como em Belém, como no Sábado no Dragão, ou ontem. 

Até podemos tentar destacar os pontos positivos. Casillas não sofreu golos, o Sérgio aparece agora como solução e o Corona fez o seu primeiro bom jogo em meses. São apenas pequenos sinais que não afastam de todo a noção de que está para acontecer alguma coisa a este FCPorto, a qualquer altura. Por muito que o jogo até esteja a correr bem. A equipa não está confiante nem consegue ganhar confiança no próprio jogo. Peseiro, tal como Lopetegui, também não transmite qualquer tranquilidade para dentro de campo. Ele também é dos que precisa mesmo de descansar. E já agora, convem não esquecer que estamos com uma onda de lesões que poderá amenizar até ao jogo com o Tondela. Aí teremos de melhorar o desempenho. 

Individualmente, dou o MVP a Danilo. É o jogador em melhor forma nesta altura. Poderia também atribuir ao Sérgio Oliveira que também esteve bem e marca o golo da vitória. Corona voltou a fazer um bom jogo, finalmente. Maxi também tem nota positiva. Brahimi e Herrera continuam muito intermitentes dentro do próprio jogo. Sobretudo o Argelino que começou por ser dos mais desequilibradores e que no final caiu muito. A dupla de centrais esteve melhor e só houve dois deslizes do miúdo. Por mim esta era a dupla até ao final da época. Há que pensar no futuro e o miúdo precisa de jogos para ganhar 'calo'. Pela negativa, Layun esteve muito apagado.

Esta equipa precisa de um bom resultado para sair desta depressão e, se o calendário nos dá um jogo em casa com o último, só temos de aproveitar.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Volta Lopes!


É um título polémico, eu sei. Mas passou-me pela cabeça enquanto subia a alameda e não me saiu da cabeça desde então. Esta nova era com Peseiro ao leme tem sido uma 'montanha russa' de emoções. Não há um jogo com resultado previsível. Somos capazes de ganhar no campo do primeiro classificado, no único jogo que perdeu nos últimos três meses, para depois estragar tudo em Braga com uma exibição de qualidade semelhante, mas que correu pior. O FCPorto actual parece a caixa de chocolates do Forrest Gump. Dirão que Peseiro, com a herança que tem e com os jogadores que tem, não tem os ingredientes para fazer grandes chocolates. Mas certamente que podia fazer melhor do que este futebol aleatório.

Reparem no historial. Fez um bom jogo no Estoril numa vitória inequívoca e outro bom jogo em Barcelos. Tudo o resto foi sempre em sofrimento com 16 golos marcados e 12 (!?) sofridos, 6 dos quais em casa. Aqui está também um factor importante: o Dragão não assusta. O Marítimo deu logo uma amostra do que aí vinha e, Arouca, Moreirense e União da Madeira vieram confirmar que não há qualquer estratégia ou rotina de transição defensiva. Digam o que disserem do treinador anterior mas, com ele, não havia disto. E depois a conversa é sempre a mesma: agora arriscamos mais. Será verdade? Se calhar temos mais oportunidades de golo e, mesmo sem dados que o comprovem, até acredito. Mas os números não mentem: marcamos sensivelmente o mesmo número de golos por jogo e sofremos mais do dobro. O Presidente falava , deselegantemente na minha opinião, sobre o futebol de Lopetegui como sendo lateralizado. Mas será que Lopetegui chegou à conclusão que, com os jogadores que tinha, teria de jogar assim? É que está mais que provado que estes jogadores, sem bola, não se sabem posicionar, não têm qualquer noção do que é o posicionamento defensivo em transição. E neste ponto não há um único jogador que se destaque da mediocridade, nem Danilo.

Quando aqui desejei a substituição de Lopetegui, sabia que provavelmente a época estaria perdida. Há sempre alguma esperança, mas não existe memória de uma 'chicotada' que tenha resultado no FCPorto. Estava armado em Anjinho, e estava convencido que viria uma solução de médio prazo. Um pouco como aconteceu com Mourinho, que teve vários meses para preparar a época seguinte. Posso já dizer que chego à conclusão que eu estava errado. Se soubesse o que sei hoje, não tinha 'despedido' Lopetegui. Por várias razões:
1 - Estado do mercado de treinadores - Eu acho que tenho desculpa por não ter todos os dados. Nunca pensei que a melhor opção no mercado fosse José Peseiro. Ainda por cima, José Peseiro veio confirmar todas as minhas reservas em relação a ele e que escrevi em cima e todas as semanas. Deixou-se pressionar pela direcção e pelas bancadas e resolveu fazer uma revolução na nossa maneira de jogar. Hoje em dia temos o pior de Lopetegui e o pior de Peseiro. Perdemos a segurança defensiva e mantemos a total ausência de ideias perante adversários fechados em redor da sua área. 
2 - Desculpabilização da Direção e do Presidente - Nunca pensei que a estratégia fosse a de branquear a actuação da direcção concentrando todos os males do mundo no anterior treinador. Anjinho, mais uma vez. Se calhar a eterna gratidão a Pinto da Costa tem ajudado, por vezes, a toldar o meu e nosso raciocínio. Mas começo a ter a certeza de que nós portistas não podemos baixar o nível de exigência, meramente por gratidão. Pinto da Costa como grande líder que é, tem de aceitar que se lhe apontem erros. A política de gestão de treinadores nos últimos anos, tem sido de uma inconsistência absurda, vindo de uma pessoa tão experiente. Em primeiro lugar deixou que o fantasma de André Villas Boas atormentasse todos os treinadores até hoje. Vitor Pereira teve de viver com isso e com a constante e total incerteza sobre a sua continuidade. Mas esse foi o único que conseguiu lidar com isso. Paulo Fonseca pouco mandou na definição do plantel, mas Lopetegui pôde fazer tudo. Com Peseiro parece que voltámos aos tempos do treinador que não 'risca' nada. Enfim, não há rumo algum! E depois nós temos essa sensação porque nos levam a essas conclusões, mas não é difícil perceber que não foi Lopetegui que trouxe Adrian Lopez, ou Imbula ou Osvaldo ou até Aboubakar, Indi, Brahimi e Corona. Posso até confessar que sei que, em vez de Corona, Lopetegui insistiu sempre em Rafa. Porque é que aceitaram a opinião dele para o Ferrari francês e não aceitaram para o Fiat de Braga? Pinto da Costa calou os anseios de Lopetegui dizendo em público que tinha no plantel um jogador que relegou Rafa para o banco de suplentes no Europeu de sub21. Lembram-se dele? Ricardo Pereira, considerado um dos melhores laterais da liga francesa, emprestado por dois anos ao Nice, pela equipa que tem de jogar com Jose Angel a titular. A culpa era só de Lopetegui? 'I rest my case'...
3 - As mexidas no plantel - Uma das desculpas de que dispõe Peseiro é a de que teve problemas no eixo da defesa e que agora só tem Maregas no banco. De facto, Peseiro herdou uma fúria reformadora que empurrou 4 flops para fora do clube: Tello, Imbula, Cissokho e Osvaldo. No seu lugar entraram apenas Marega e Suk. Apenas o segundo demonstrou ser uma solução mas, na minha opinião, é apenas uma boa opção de banco. Ainda assim, que se saiba, Peseiro não se opôs a nada disto. Quando lhe perguntaram sobre mexidas de mercado, nem sequer falou de centrais, algo que estava à vista, antes mesmo do caso Maicon. Não tendo aqui falado sobre o assunto, tenho de dizer que Peseiro foi o treinador que deixou cair o Maicon, sabendo que só tinha duas alternativas no plantel. Que eu saiba ele não é o único que não controla o twiter da esposa, o presidente que o diga... Foi grave o que ele fez? Óbvio! Mas o que é que o clube ganhou com a sua saída? Preocupações. Espero mais de Peseiro, de Antero e de Pinto da Costa, do que uma mera gestão emocional do clube. Era tão fácil dizer que ele estava mesmo lesionado e que era uma prima que escrevia na conta do twiter... Seriam desculpas esfarrapadas? Certamente, mas não nos tentaram convencer que o Adrian custou aquele dinheiro todo, porque um gestor com mais 30 anos de experiência, aceitou letras e acreditando na palavra de um empresário? Mais uma vez, 'I rest my case'...

Isto para mim é o suficiente para considerar uma outra opção para a liderança da equipa técnica no próximo ano. Peseiro provou que não consegue ter relevância nas decisões sobre o plantel e que não consegue provar em campo que é melhor que as soluções anteriores. Espero bem que, se ele não continuar, não passe a concentrar em si todos os males do mundo...

Para terminar, e isto hoje já vai longo, individualmente tenho dificuldades em destacar alguém. Talvez Herrera e Maxi pelo desempenho ofensivo, mas defensivamente... Todos um desastre. A começar em Corona que tem uma única jogada boa no jogo e que valeu três pontos. 

Em Setúbal voltamos a estar longe do Dragão. Os desempenhos têm sido claramente melhores...

domingo, 6 de março de 2016

Adeus


Há muito que parecia inevitável e só uma inesperada e saborosa vitória na Luz ajudaram a prolongar a esperança. Mas sejamos realistas: há muito que se percebeu que Peseiro não consegue implementar uma ideia de jogo que seja. Eu costumava dizer que Lopetegui tinha ideias más, mas que se notava em campo o que ele queria. Aquela ilusão inicial de que passávamos a jogar mais com o miolo foi desvanecendo e ontem pouco mais fizemos do que bombardear bolas para Suk ou esperar que Brahimi resolvesse. Logo dois jogadores que foram dos melhores, mas foi curto e é curto para uma equipa como o FCPorto. O facto de termos reforçado o meio campo ajudou a que tivéssemos menos aflições do que o habitual, mas faltou o ataque. Chegava a cansar ver o Suk, feito 'tolinho' atrás das bolas. Entrar em campo apenas com dois jogadores de características ofensivas é limitado face à história do FCPorto e até face ao facto de que só a vitória nos interessava. Assim, não fosse o erro comprometedor de Marcano, o jogo aproximava-se do empate a zero que não nos interessava. Assim que sofremos o golo voltaram as auto-estradas em direcção à nossa baliza típicas do futebol desequilibrado de Peseiro. Aproximam-se decisões difíceis no final da época. O treinador é uma delas mas há alguns 'titulares' para dispensar.

Mas é óbvio que que a minha avaliação a Peseiro e à equipa seria adiada até ao próximo desaire se não tivéssemos de lidar com a 'encomenda' Xistra. Não jogámos o suficiente, mas o Braga teve um 'empurrãozinho'. As quatro primeiras 'pauladas' dos laterais do Braga saíram impunes. Penaltis, nem vê-los. O Braga, tão elogiado ao longo da época, teve a primeira jogada de perigo perto dos 25 minutos de jogo e num lance precedido de falta clara. Enfim, algo que já temia na nomeação da jornada anterior mas que só se concretizou nesta. É de relembrar que houve um jogo em Guimarães apitado por este 'artista' que me ajudou a perceber que, de facto, o maior candidato ao título era o que estava em terceiro nessa altura. Confirma-se hoje e pelas mãos do mesmo tipo. Vitor Pereira não nos vai deixar saudades mas o Xistra, o Capela, o Rui Costa, o Tiago Martins, o Cosme, o Ferreira de Vizela, ficam cá para nos 'atazanar' no dia em que saem as nomeações. Seja quem for a nomear, seja por sorteio, os gajos estão aqui na primeira categoria. Um bom trabalho, de facto.

Individualmente, Suk e o MVP Brahimi tentaram remar contra as 'cacetadas' e contra a constante inferioridade numérica. Danilo continua imponente mas precisa de treinador para ser ainda melhor. Marcano teve um erro que garantiria a Chodizie o regresso prematuro à equipa B. Espero que se comece a preparar a próxima época com o miúdo ao lado de Indi para ganhar 'calo'. Outro jogador que me parece que tem de sair da equipa é Herrera. É aflitiva a falta de consistência, que se aceita no início, mas que agora parece irremediável. André continua desaparecido e nos últimos dois meses, só o vi no Estoril. Corona e Marega são de uma inutilidade assustadora. Muitos dos problemas defensivos da equipa passam pela excessiva projecção dos laterais. Ambos atacam bem mas expõem demasiado a equipa. O lance de Casillas já nem conta. Ele foi um dos que manteve o sonho 'aceso'.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Sofrido, mas com um Final Feliz...


Com o Prata offline, longe da Invicta e com os outros dois "malandros" do blogue a "baldarem-se", só hoje damos umas "luzes" do que vimos no passado domingo e numa vertente mais de "coração" em vez de um raciocínio mais lógico e analítico daquilo que se passa dentro das quatro linhas, tal como as nossas crónicas se tem pautado.

Com efeito, passemos ao jogo e à enfatização de factos... terceira vitória das três últimas deslocações da nossa equipa à capital (ou arredores)... dado indesmentível e de salientar, pois não temos convivido muito bem com estas viagens nos últimos tempos para aqueles lados... entrada em jogo com atitude, golos e até alguma sorte... parecia um arranque perfeito para um jogo confortável e tranquilo no Restelo onde tínhamos empatado nas duas últimas vezes, mas não o foi... a vitória foi, sem dúvida saborosa, mas com muitos calafrios... não conseguimos segurar a vantagem nem a bola do nosso lado para o tempo ir passando, o jogo manteve-se partido durante todo o segundo tempo e, tanto podíamos ter marcado muitos mais golos como também o inverso... faltou a tal posse exagerada no tempo de Lopetegui e praticamente inexistente com Peseiro... as duas ou três incursões de Marega que poderiam ter "matado" o jogo saíram completas trapalhadas e o maliano parece estar a juntar todos os ingredientes para ser um dos "patinhos feios" da massa adepta portista... no outro extremo, Casillas está a pôr em prática o seu rótulo de lendário e a continuar a exibir-se a um bom nível...

De uma forma sintética foi isto que resumidamente retirei do nosso último jogo, que me fez "suar" até aos últimos segundos do encontro e, que, aparentemente, como o outro diria, não teria havido necessidade... ganhamos, continuamos na luta e o próximo fim-de-semana é importantíssimo para definir a recta final do campeonato... hoje teremos um bom jogo para o Mister Peseiro poder experimentar algumas das suas ideias que ainda não colocou em prática e descansar alguns meninos para esse importante/decisivo encontro na Pedreira...

Uma última nota para Suk que, pode não ter aquela "tarimba" de jogador com classe para o FCP, mas o gajo é um "chato" daqueles e foi crucial no golo inaugural... tem-me surpreendido e começo a valorizar a utilidade do nosso "Ninja" coreano...

P.S. Prata, desculpa as reticências... ;) 

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Fora de jogo


Os tipos da SIC tiveram dificuldade em notar, mas é claro que acabámos por perder o jogo num lance em fora de jogo. Mas será que chegámos a estar dentro do jogo? Julgo que não. Vou ser claro: para mim acabou o período de 'namoro' com Peseiro. Dou sempre o benefício da dúvida mas, neste caso, vai ser mais curto. Isto apesar de o resultado penalizar demasiado a nossa exibição, seja por decisões do árbitro seja por falta de concretização em dois ou três lances.

Para mim as opções do treinador nesta eliminatória foram más e não se adequam ao que se exige ao FCPorto numa competição europeia. Todas as opções de Peseiro resultam de um principio de que não poderíamos passar a eliminatória sem mudar o nosso jogo e a nossa maneira de jogar. Por isso, apresentámos a atitude submissa em Dortmund e por isso é que entrámos ontem em campo com duplo pivot, sem Brahimi, sem André e sem Herrera. Outro exemplo gritante do temor que tínhamos ao Dortmund é a opção por Layun a central. É certo que tivemos uma razia na defesa que não é responsabilidade do treinador. A questão é que, para responder a limitações do plantel, limitámos o jogo ofensivo da equipa privando-a do jogador com mais cruzamentos e com mais assistências para golo. Tendo de ganhar por 2-0, para mim é inexplicável. Depois, tirando Brahimi, depois de tirar Corona da equipa, assume-se que não queremos ter bola, nem capacidade de improviso nas alas. Ficámos apenas com jogadores que procuram movimentos quase em linha recta à baliza ou à linha, sem rasgo e com o único objectivo de  cruzar ou ganhar cantos. Assim, Evandro passou a ser o único com qualidade para receber em zonas avançadas de terreno e foram inúmeros os casos em que perdemos a bola nessas condições, o que fez com que se passasse a procurar preferencialmente o jogo longo. Parece-me uma concepção de jogo pobre.Acabámos por criar perigo porque a equipa entrou com vontade e conseguiu ganhar algumas bolas em tentativas de pressão alta. Mas tendo ganho a bola mais facilmente, perdemos em qualidade na definição. Ainda assim, as jogadas de perigo resumiram-se a isso e a algumas bolas paradas. E convém dizer que o golo também surge de uma tentativa falhada de pressão. Danilo, que foi o MVP, sai da posição, não intercepta a bola e deixa nas costas uma situação de 4 para 3. A defesa terá de se habituar porque parece que vai acontecer constantemente...

Além das opções de equipa pequena de Peseiro, o que se retem desta eliminatória é uma contradição que temos no plantel. Por um lado temos o Suk, o Marega e o Varela que têm vontade mas que não têm qualidade para este nível de competição. Suk que tão bem jogou no Domingo, ontem voltou a tropeçar numa toupeira quando tinha tudo para finalizar. Marega tem pormenores técnicos assustadores e Varela continua incapaz de dominar uma bola sem que ela 'pinche dois metros'. Por outro lado, os que parecem ter melhores condições técnicas, como Corona, Brahimi e Aboubakar, perdem-se em disparates ou em individualismo. O toque de calcanhar de hoje do Aboubakar é ridículo. Assim torna-se difícil para Peseiro optar. O ideal é dosear. Jose Angel é um jogador que não deveria estar no plantel, muito menos a jogar nestes jogos. Ainda bem que Casillas continua em boa forma.

Foco no campeonato. É o que resta...

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Aflição


Digam o que disserem de Peseiro, não nos podemos queixar de falta de emoção! Parece que não há meio termo. A distância entre a linha defensiva e o resto da equipa ou é de centímetros ou é de quilómetros. Depois dos centímetros de Dortmund tivemos ontem diversas clareiras nas costas do nosso meio-campo que fizeram com que a defesa e mais concretamente o miúdo Chidozie, sucumbissem perante o à vontade dos avançados contrários. Ultimamente, desde que Lopetegui deixou de ser o culpado de todos os males do universo, temos procurado incessantemente por culpados. Seja o árbitro e o Maicon no Arouca, seja o Brahimi que não passa a bola, o Aboubakar que falha muitos golos ou a SAD que permitiu que se chegasse a esta fase da época sem centrais e com a necessidade de pôr Layun nessa posição. Ontem é fácil apontar o dedo a Chidozie. De facto, sobretudo no primeiro golo, tem uma abordagem ridícula e quase que apontou o avançado contrário no caminho da baliza. Mas convém que nos comecemos a concentrar na nossa incapacidade de apresentar um futebol equilibrado. Já levámos oito jogos de Peseiro sem que se veja qualquer evolução no processo de transição defensiva. Ele dirá que neste período não teve tempo para treinar. Eu direi que foi ele que resolveu mudar tudo de uma vez só...

Valeu a reacção da equipa. É complicado estar a perder por dois quando, no jogo anterior com o Arouca, nem conseguimos recuperar uma desvantagem de um golo. Valeu aquele golo na primeira parte num penalti simpático (eu continuo a achar que há penalti antes sobre Brahimi mas ainda não arranjei um portista que concorde comigo...) e valeu Casillas no início da segunda. Outro factor importante foi a entrada de Suk no onze. Há jogadores que têm um coração e uma entrega que fazem com que pareçam melhores jogadores do que os pés parecem indicar. Suk é um deles, como era Derlei e como é André André. São jogadores que empolgam a equipa e que mantém os adversários sempre em alerta. Poderão ter reparado que estivemos a perder por 0-2 e Aboubakar nem entrou em campo. De facto não era preciso e não se surpreendam se o virem no banco na quinta-feira. Na transição defensiva, nos dois golos poderão reparar na intensidade com que Danilo no primeiro e Herrera no segundo, abordam a necessidade de recuar em auxílio à defesa. Assim não há milagres e mesmo que em vez de Chidozie lá estivesse Indi ou Marcano ou Mangala ou Otamendi, arriscamo-nos a sofrer na mesma.

Individualmente dou o MVP a Casillas. Tal como no jogo com o Arouca, achei que a equipa entrou muito mal na segunda parte e foi Casillas que nos manteve no jogo com duas excelentes defesas. Parece que ganhou nova vida com as aflições deste esquema de Peseiro. Outro candidato a MVP era Suk. Aboubakar que se cuide. Layun Maxi e Brahimi oscilaram um pouco durante o jogo mas têm nota positiva. Pela negativa, obviamente Chidozie. Está ligado aos dois golos sofridos. Espero que isso não signifique que seja proscrito. É um jogador com um potencial invulgar e que deve ser trabalhado na equipa principal. Voltei a não gostar de Corona e a entrada de Marega não foi melhor. Evandro parece ter ajudado Peseiro a encontrar o meio-campo a apresentar na quinta-feira e que deverá ser o que entrou na segunda parte.

Já sabemos que não é impossível na quinta. Andará lá perto. Eu lá estarei para mais uma 'remontada'.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Moribundos


Se o jogo de sexta-feira nos deixou 'vivos' quanto à luta pelo campeonato, o jogo de ontem deixou-nos vivos, mas num estado muito frágil. É bem provável que sejamos já eliminados das competições europeias. Só não seremos se fizermos uma exibição portentosa. Uma exibição a um nível que ainda não vimos esta época nem com Lopetegui, nem com Rui Barros e nem com Peseiro. Dirão que era difícil ter feito melhor por causa das limitações dos castigos e das limitações do plantel ao nível de centrais. Eu concordo que é parte do problema, mas não me fico por aí. 

Mesmo com as limitações vi desempenhos muito fracos de alguns jogadores e sobretudo de Peseiro. Dá a ideia que tudo que era elogiável no jogo de sexta-feira descambou para o oposto no jogo de hoje. A única excepção será Casillas que voltou a fazer bem o seu papel. Comecemos pela atitude competitiva. Na sexta-feira, Peseiro apresentou uma equipa ambiciosa e com ideias de criar problemas ao adversário. Hoje, obcecado com o controlo da profundidade de Reus e Abeumayang, apresentou uma linha defensiva tão recuada que minou por completo a nossa capacidade de criar perigo. Antes do segundo golo tínhamos feito um único remate à baliza. É deprimente! Brahimi e sobretudo Marega, mais pareciam segundos laterais deixando um espaço enorme para que a linha recuada do Dortmund avançasse e que, por exemplo, Hummels pudesse jogar a médio e que o lateral esquerdo passasse a extremo. De facto, tínhamos limitações e é claro que a estratégia passava por adiar a decisão para o Dragão, mas não justifica que abordássemos o jogo com esta táctica à 'Mário Reis'. Houve 'ambição zero' e isso não é o FCPorto. Basta ver que os jogadores que entraram no final, com a necessidade de correr atrás do resultado, causaram mais mossa que os outros em 75 minutos. É um indicador de que a falta de ambição nos condicionou e nos impediu de trazer um resultado melhor e com golos. Fiquei com a sensação que a única coisa que nos salvou do resultado de Munique de há um ano, foi o simples facto de que o Dortmund resolveu não 'carregar muito' por haver uma segunda mão. É que sempre que eles aceleravam criavam problemas, mesmo com os nossos onze jogadores na nossa área. Aceito maus resultados e este não é nenhuma tragédia. Não aceito que se tome a derrota como assumida e se faça apenas um jogo para contenção de danos.

E depois as opções inexplicáveis de Peseiro. A opção Chidozie foi elogiada, não só porque o miúdo se saiu bem. Eu valorizei mais o facto de não se mudar o esquema, de não se fazer adaptações e de mantermos Danilo na sua posição no meio-campo. Pois hoje fez-se o contrário. Uma ausência de um central fez com que se jogasse com dois jogadores adaptados. Estou a falar da opção de Layun a central, que nos fez perder o nosso lateral mais ofensivo e mais decisivo ao nível das assistências. Comprometeu a central? Não me parece, mas relembro que a nossa produção ofensiva foi miserável. Outra adaptação foi a de Varela a lateral direito. Sabemos que Varela é um extremo que defende bem. Mas o facto de defender bem como extremo não significa que o faça bem como lateral. A um lateral pedem-se outras coisas nomeadamente um bom controlo na distância com os centrais. Ganhámos um lateral sem rotinas e um extremo, Marega, cujo único conceito defensivo é encostar-se constantemente ao lateral e cuja qualidade na saída de com bola controlada é penosamente má. Em três opções, que são duas adaptações, tivemos parte da explicação da péssima exibição. Depois ainda tivemos a ausência de André do onze inicial o excessivo individualismo da maior parte dos jogadores da frente, especialmente Brahimi. Nota zero para Peseiro!

Individualmente, gostei das exibições de Casillas e de Indi. Herrera acabou por ser o mais esclarecido da frente mas não diria que tem nota positiva. Pela negativa Brahimi e Aboubakar estiverem muito abaixo de exigível. Marega parece-me um jogador sem categoria para estas andanças. Espero estar enganado. Ruben, estranhamente, esteve pior que Sérgio. Não gostei. Suk e Evandro trouxeram alguma coisa, mas já não dava. André não trouxe nada do banco.

Enfim, tal como na sexta-feira, o resultado foi melhor que a exibição. Mas na sexta-feira fizemos por merecer! Esperemos que na segunda-mão e já no Domingo se faça o mesmo.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Ainda vivos


No ano passado o jogo na Luz poderia valer o título. Nessa altura, pensei que seria pouco provável que houvesse uma outra visita a esse estádio em que estivesse mais desanimado 'a priori'. Pois este ano... Digam o que disserem das aflições por que passámos ao longo do jogo, ao contrário do ano passado, vimos uma equipa com mais vontade de ganhar do que medo de perder. E isso acabou por fazer a diferença. No passado tínhamos uma equipa tão amarrada ao seu mecanismo, que se desmoronava perante qualquer 'pedra na engranagem'. Este FCPorto sofre mais, mas também 'morde' mais. Vive num desequilíbrio constante e na sexta-feira isso valeu-nos a vitória, mas no Domingo anterior... Com isto pretendo dizer que o resultado foi saboroso, mas que não poderá ser motivo para grandes entusiasmos. Apenas significa que continuamos na luta.

O onze inicial ajudou a melhorar um pouco o meu ânimo. Ao contrário do ano passado, não abdicámos de nenhuma das nossas armas. Jogaram os quatro da frente e jogou o meio-campo que tem sido titular. A vitória era o único resultado que interessava e apresentámos um onze audaz. No entanto, a primeira parte não foi boa. Este novo FCPorto de Peseiro parte demasiado o jogo e deu a ideia que o adversário está mais habituado a este tipo de 'parada e resposta'. Na segunda parte, o jogo foi nosso. Já sei que permitimos 3 ou 4 oportunidades ao adversário, mas entrámos no jogo dominadores e a jogar no campo do adversário, que jogava em casa e que vinha de mais de 10 vitórias consecutivas. O golo apareceu e, a partir daí, foi mais fácil controlar o adversário. A dupla substituição de Vitória também ajudou.

Individualmente Casillas fez uma exibição tão boa, que passou a ser motivo de desculpa para o adversário. Como se não estivesse lá para isso. É caso para dizer: finalmente! Casillas esteve muito bem acompanhado por Danilo e Chidozie. Danilo tem vindo a ser dos melhores apesar de ainda ter muito a aprender sobre posicionamento. Quanto ao miúdo nigeriano, para quem não conhecia foi um grande cartão de visita. Entre amigos dizia-lhes que me parecia o novo Aloísio. Por muito talento que tenha, era um teste muito difícil e com tudo para correr mal. Que grande resposta! Pela negativa, Corona e Marega. Muito trapalhões.

Não há tempo para capitalizar esta vitória. Vem aí um adversário ainda melhor.