quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Suavidade


Continuo sem me entusiasmar muito com a Taça da Liga. Poupem-me dos 'respeitos pela competição' dos 'temos de lutar para ganhar sempre', etc.. Não tenho paciência. Acho que deveria ser sempre assumido que isto é só para rodar o plantel. E é por isso que eu mais uns 10 mil doentes, de há uns anos a esta parte, vamos ao Dragão a meio da semana de uma noite fria de Janeiro. Eu quero ver como jogam o Aboubakar, o Ricardo, o Ivo e até o Adrian e o José Angel. Não vejo os treinos e gosto de saber com o que conto. Se entretanto der para chegar às meias finais, aí podemos repensar a estratégia de acordo com o estado das outras competições.

Deixando para trás este introito em que incorro anualmente, por esta altura, vamos ao jogo. Até estava a gostar da dinâmica. Começámos por chegar com facilidade e com alguma arte à área do adversário. Mas aí... Parecia que estávamos a tentar finalizar de pantufas. Tanta suavidade! Era cada toquezinho artístico! Parecia o concurso da para a obtenção da finalização mais pífia... Obviamente que ganhou Aboubakar, que foi o único que consegui marcar através de um remate a 0,1 km/hora... Mas Adrian e Quaresma também tentaram. Exageros à parte, foi um bocado irritante a forma displicente como fomos desperdiçando várias oportunidades. Jogámos com suavidade, finalizamos com suavidade e Casemiro também tocou a bola com bastante suvidade no último minuto...

Vamos ao que interessa, os jogadores. Lopetegui tentou 'temperar' a equipa com três jogadores que têm jogado mais, um por sector: Marcano, Casemiro e Quaresma. Ainda assim, compreende-se que nem tudo corra bem, tal como não correu na outra ocasião em que se fez disto: contra o Shacktar. Individualmente, gostei de Ricardo e Aboubakar. São dois jogadores que merecem jogar muito mais. Percebo que não joguem, pela qualidade superior de Danilo e Jackson, mas eles não desperdiçam uma única oportunidade. O rácio de golos por minuto de Aboubakar é impressionante! José Angel não me convence defensivamente, mas canaliza muito jogo ofensivo pelo seu corredor. Notaram-se as dificuldades perante Ukra. Evandro não joga mal, mas não me entusiasmou. Ainda assim, acho que também podia ter mais minutos, nomeadamente quando é preciso serenar o jogo. Fá-lo melhor que Herrera. Espero sempre mais de Quintero. Adrian é um caso patológico. Incrível o estado em que se pôs. Fez talvez a melhor jogada individual do jogo, terminando com um remate ao poste e fez mais duas ou três jogadas de qualidade. Mas o resto... É de uma falta de confiança incrível! Recomendo treinos de manhã e quatro horas de psicoterapia à tarde... Não gostei propriamente de Reyes, Quaresma e Casemiro. Mas não estiveram mal. Não gostei que se tivesse adiado a estreia de Ivo. Os minutos que tiveram Brahimi e Oliver não trouxeram nada e iriam ser inesquecíveis para o miúdo. O Lopes tinha que me dar alguma razão para o criticar... Típico!

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

2010.03.24. Rio Ave 1-3 F.C. Porto (Rúben Micael) ...

Sim... hoje jogamos... para abrir o apetite relembramos um golo na meia-final da Taça de Portugal de 2010 no Estádio dos Arcos, quando outros colombianos eram nomes sonantes no nosso plantel, lance que termina com a finalização de Rúben Micael...

sábado, 27 de dezembro de 2014

1991.03.16. FC Porto 4-1 V. Setúbal (Domingos)...

Ainda no rescaldo da visita do Vitória de Setúbal ao Dragão, recordamos um dos golos de Domingos contra a equipa que agora orienta... e neste jogo "molhou a sopa" por três ocasiões...

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Frio



Jogo frio dentro e fora de campo com um resultado que espelha moderadamente a diferença entre as equipas. Dirão que é exagerado, mas o Setúbal chegou na rematar à nossa baliza? Não me recordo. Dirão que podíamos jogar mais perante um adversário tão frágil mas, pelo menos, não foi a pobreza que se viu noutros campos e noutras TV's... Os tais da lição táctica no Dragão.

O jogo começou morno e só a cavalgada de Danilo, que resultou em penalti, ajudou a espevitar as bancadas. Com o golo, seguiram-se uns dez minutos de bom futebol com várias oportunidades e com o 2-0 alcançado com relativa facilidade. Depois veio um período cinzento com trapalhadas e os habituais passes para Fabiano. Deu para irritar as bancadas e também não ajudou a substituição de um ala por um médio, retirando ainda mais profundidade ao nosso jogo. Parecia que só conseguíamos atacar com os laterais... A entrada de Brahimi conjugada com o cansaço e a desorganização do adversário trouxeram a goleada já inesperada naquela altura.

Individualmente, tenho gostado consecutivamente de Oliver. Campaña não comprometeu na estreia mas terá que ser mais rápido a decidir se quer ser opção. Alex Sandro foi o MVP para os adeptos mas eu achei que fez demasiadas faltas. Também não apreciei muito a exibição de Tello. Tentava fazer sempre a mesma jogada. Corridas loucas sem sequer se desviar dos adversários. Fez-me lembrar o Iturbe...

É assustador que estejamos a tantos pontos de um líder com tão fraco futebol, mas resta-nos ir ganhando e esperar que nos caia do céu a recuperação e que não lhes caiam do céu as vitórias, como aconteceu ontem com o Gil Vicente.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

1992.10.21 Sion 2-2 FC Porto (Fernando Couto)...

Em fase de rescaldo do sorteio da Champions, fomos ao passado e relembramos o golo de Fernando Couto em 1992 na Suiça, empatando a partida contra o campeão suiço de então (Sion) e colocando o FCP numa excelente posição para o acesso à fase de grupos da Champions (na altura apenas dois grupos de quatro equipas)... fantástico o golo, mas também o momento em que Couto se arrepende de dar o "mortal" nos festejos...

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O dia em que Vítor Pereira deu um brinquedo a Pep...

Como a cada resultado negativo do Porto especula-se sobre outros treinadores e porque parece que esta entrevista passou ao lado de muita gente, acho que vale perder 5 minutinhos :-)

R – Esteve recentemente uma semana em Munique a acompanhar de perto o trabalho do Bayern. Com que ideia ficou?


VP – Com a ideia de que o Guardiola é um treinador que nunca está satisfeito com aquilo que faz. E eu identifico-me um bocadinho com essa forma de pensar. A única coisa que interessa é fazer o que ainda não está feito. É como se eu quisesse ver o jogo que nunca vi jogar. É ter a necessidade de, mesmo ganhando, chegar ao fim e pensar: “Não era isto que eu queria. Era muito mais.”


R – Ganhar já não chega?


VP – Não, não chega. Descobrir coisas novas é o que mais sentido faz para um treinador. Ainda agora em Munique almoçámos juntos, a convite dele, no Hotel Kempinski. Bom, às tantas, começámos a falar da nossa profissão e aquela mesa, entre copos e talheres, parecia um campo de futebol! (risos) Ele já misturava o espanhol com o catalão, e tive de lhe dizer: “Calma, mais devagar, que assim eu não consigo acompanhar… (risos, de novo) A capacidade de raciocínio dele é uma coisa impressionante. Pensa muito à frente. O Bayern joga um futebol fantástico e não é só pela capacidade dos jogadores, é também pelos princípios de jogo. E aquilo parece fácil, não é? Ponham lá outras equipas a fazer o mesmo…


R – O Neuer a líbero e o Lahm a jogar no meio eram coisas difíceis de imaginar.


VP – Pois eram. Mas não para ele. O Lahm sempre como linha de passe, fantástico! O Pep é muito engraçado durante os treinos. Está sempre a criar qualquer coisa. Às vezes chama miúdos da formação. Quatro ou cinco de uma vez. E tem uma preocupação permanente, mesmo com miúdos franzinos, que jogam ali no meio. No final do treino vinha ter comigo e falar sobre esses miúdos. E dizia: “Viste o talento? Viste a qualidade do miúdo?” Sempre, sempre à procura do talento, de um pormenor que pode vir a fazer a diferença..

R – Conseguiu perceber onde é que o Bayern falhou naquela meia-final da Champions com o Real Madrid, na época passada?


VP – Por acaso discutimos isso. E eu disse-lhe exatamente aquilo que penso: “Pep, em determinados jogos continuas a expor a tua linha defensiva no momento da transição.”


R – Ele concordou?


VP – Continuei a dizer-lhe. “Pep, está a acontecer-te isto, isto e isto. Esta é a minha opinião. Se quiseres, reflete”. Ele concordou e respondeu-me: “Tens razão. Já percebi isso. Mas ando à procura de um exercício que me permita resolver o problema”. Eu disse-lhe: “Vou dar-te uma sugestão. Se aceitares, aqui está. É assim”. E dei-lhe um exercício, explicando-lhe que já tinha sentido aquele mesmo problema em equipas minhas e que tinha resolvido daquela forma. “Resulta de certeza absoluta”, expliquei-lhe. “Nunca tinha pensado nisso”, diz-me o Pep.


R – Até que…


VP – No dia seguinte chego ao treino e vem o Manuel Estiarte, adjunto dele, ter comigo: “Vítor, o que deste ao homem? O que deste ao Pep? Passou toda a tarde fechado no gabinete, parecia que lhe tinham dado um brinquedo…” De seguida aparece ele e diz-me: “Vítor, Vítor, vais ver o treino? Hoje vou começar a fazer o que me disseste”. Mas como é um génio, que nunca está satisfeito, foi ainda mais longe: “Se calhar, pegando na tua ideia, ainda dá para colocar isto aqui e aquilo ali”. Ou seja, acabou por adaptar a ideia à forma de jogar da equipa dele. Tem uma capacidade fora do comum.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Realismo


«Estou convencido que o FCPorto será campeão». Pois eu estava convencido que já tinha visto o episódio ridículo do fim-de-semana naquele desempenho defensivo da equipa no lançamento lateral que acabou por decidir o jogo. Mas depois ouvi isto na rádio... Eu também não fiquei convencido que o nosso adversário seja melhor que este FCPorto, mas daí até chegar à conclusão de Lopetegui... 

Vamos ao jogo. É fácil dizer que fizemos tudo mal. Perdemos 0-2 com o nosso maior adversário. Mas a clareza do resultado não é suficiente para que possa partir para uma 'caça às bruxas'. Tenho muito a criticar no FCPorto de Lopetegui e tenho o feito constantemente. Custa-me identificar erros dele que tenham sido determinantes neste resultado. Que culpa tem ele naquela abordagem ao lance do primeiro golo? Não criámos oportunidades suficientes para ganhar o jogo? Contei seis ou sete claras o que nem é mau num jogo destes. Contem quantas tivemos no jogo do minuto 92. Permitimos oportunidades ao adversário? Duas meias oportunidades, as que entraram. Ora, por muito que me doa, não me custa reconhecer que é dificil ganhar perante tamanha diferença de eficácia. A táctica não pode resistir perante um adversário que transforma duas meias oportunidades em golos e perante falhanços como os de Jackson e de Herrera. 

O problema tem de ser posto noutros termos. Na minha opinião são erros conceptuais do FCPorto de Lopetegui. Pergunto-me se não teremos assistido a um confronto entre a lógica do individual e a do colectivo. Foi a vitória do realismo. De um lado tivemos uma equipa que aguardou compacta pelas suas oportunidades. Já Lopetegui vive obececado com a criação de duelos individuais nomeadamente nas alas. Para que isso aconteça está disposto a tudo, até a sacrificar todo o centro do terreno. Em jogos em que a inspiração individual nas alas não chegue, teremos sempre problemas. Eu perguntarei até se não será fácil traçar um plano defensivo para defender este FCPorto. Parece-me que sim. Óbvio que não há plano que resista ao talento individual.  Tello ganhou dois lances individuais, Quaresma outros dois, mas Brahimi ganhou zero... E por isso é que tivemos mais oportunidades, mas tenho receio que perante um adversário organizado, e se tivermos Jogadores desinspirados como Brahimi, voltemos a ter este problema. E vamos chamar-lhe sempre ineficácia. Eu chamo-lhe falta de diversidade de jogo. Um esquema que tenta promover a fantasia das alas mas que castra o aproveitamento do miolo. Acresce que o problema também é defensivo. Como podemos pedir intensidade na perda de bola se a equipa joga demasiado espalhada no campo?

Individualmente,  gostei de Alex Sandro e de Oliver. Num segundo plano gostei de Casemiro apesar de não ter tido uma exibição sem erros. Pela negativa todos os que ficaram a filmar o lance naquele primeiro golo. Desde Fabiano, passando por Marcano e acabando no mais culpado, Danilo. Não consigo perceber esta quebra de forma de Brahimi e menos ainda que tenha terminado o jogo. Quaresma entrou bem e merece o lugar. Tello também apareceu pouco e Quintero não ajudou muito.

Resta-nos correr atrás. Não está fácil.

Adenda:

Reparem nas estatísticas das faltas?




sábado, 13 de dezembro de 2014

1998.11.21. FC Porto 3-1 Benfica (Jardel)...

Porque o clássico está aí à porta, relembramos um dos muitos golos de Jardigol... este na caminhada para o Penta do Engenheiro Fernando Santos...

Fonte: Filhos do Dragão (https://www.youtube.com/user/art0of0love)