Vitória muito importante! E é importante sob três perspectivas: 'resultadista', técnica e psicológica.
Do ponto de vista do resultado estabelecemos um fosso em relação ao adversário de ontem, que nos permitirá gerir os próximos três jogos com outra confiança. Sete pontos em três jogos, tendo já jogado em casa do principal adversário, roça a perfeição.
Depois havia Lopetegui. O que é que o tipo iria inventar depois da Taça? Dizia 'O Jogo' e o próprio, na conferência de imprensa de lançamento, que tudo permaneceria igual. Nem tudo... Na minha opinião jogou um dos melhores onzes possíveis, ou próximo disso. Talvez pudesse encontrar lugar para Oliver e Rúben na equipa ou até para Quaresma, mas o onze satisfez. Logo à partida, o receio das invenções atenuou um pouco. O esquema também não desiludiu. Entrámos bem no jogo e a primeira parte é bem agradável. Conseguimos fomentar a criatividade de Quintero e simultâneamente promover a velocidade de Danilo e Tello. Voltamos a ter alguma dificuldade nas decisões. Tello, Brahimi e Quintero demoram eternidades a rematar e os lances foram-se perdendo por falta de objectividade. Mas o futebol estava lá e acabou por compensar mesmo no final, com o golo do 'patinho feio'. O problema é que o arranque da segunda parte foi pior. As alterações no Bilbau foram cirúrgicas e expuseram as nossas limitações num meio-campo que tem Quintero. Já vimos que não podemos ter tudo. Ou temos os passes para golo ou temos a segurança defensiva no miolo. Ainda por cima, Tello e Brahimi não têm a capacidade de nestas alturas ajudarem Jackson na pressão à saída do adversário e foi muito vulgar ver os médios criativos adversários a receber entre linhas, de frente para a baliza. O jogo ficou partido e o golo surgiu em mais uma perda de bola mas, neste caso, poderia ter acontecido de outra forma, tal era a nossa incapacidade de controlar a reacção do adversário. Lopetegui reagiu tarde mas bem, apesar da indignação do Dragão. Depois de controlar o jogo tentou ganhá-lo com Quaresma e conseguiu. Outra solução possível poderia ser a entrada de Oliver por Quintero. Poupava nos assobios e acredito que o efeito seria semelhante. Mas acho que o Lopes esteve bem. Apenas lhe posso apontar que o Rúben poderia ter entrado 5 minutos mais cedo.
Por último, o efeito psicológico. Perante a contrariedade fica a reacção e isso traz motivação. Não era fácil reagir perante aquele coro de assobios, perante mais um golo oferecido e perante o resultado de Sábado. Reagimos na entrada em jogo e reagimos perante o empate. Veremos os efeitos já no fim de semana. Mas este efeito só poderá ser aproveitado numa lógica de estabilidade nas escolhas. Aguardemos...
Individualmente gostaria de destacar Tello e Alex Sandro. Tello foi o avançado mais perigoso e apenas peca na decisão. Parece que só remata com o pé esquerdo. Talvez a confiança que vai acumulando mude isso. Alex Sandro esteve bem. Defendeu como sabe e apenas cometeu um erro que foi um falta estapafúrdia na cabeça da área, perto do final. Poderia ter sido grave porque foi perigoso... Fica o registo do seu regresso às boas exibições e o facto de continuar a equilibrar a equipa com as subidas constantes de Danilo que, do outro lado, continua a ser dos jogadores em melhor plano. Jackson dificilmente joga mal e Herrera esteve bem, mas manchou a exibição com o mau passe para Casemiro e com o desnorte no início da segunda parte. Casemiro também piorou bastante na segunda parte. Pela negativa, Maicon. Tem de pôr os olhos no seu colega de sector. Indi está longe de ser um fora-de-serie, mas parece viver bem com as suas limitações. Conhece-as e adapta-se ora com agressividade, ora com sentido prático. Maicon, que poderia ser bem melhor, não consegue ser. Vejam a cobertura ridícula que faz no lance do golo. Antes disso um lance em que ganha a frente e consegue ser ultrapassado na mesma, sem usar o corpo nem a vantagem que tinha. Erros demasiado primário para um jogador com tantos anos de casa. Não gostei também de Fabiano. Foram vários os lances de aflição em cruzamentos.
Referência para os adeptos do Bilbau. Por muito que tenha corrido relativamente bem e de os tipos que estavam à minha volta serem simpáticos, há que repensar se o dinheiro da bilheteira poderá ser trocado pela segurança dos adeptos portistas e dos do Bilbau. Estavam todos espalhados pelo estádio e até dava a ideia que encheriam uma bancada inteira se estivessem todos concentrados no mesmo sitio. Agora expliquem-me como é que iriam controlar aquilo se houvesse algum problema? Ainda por cima, aquela cor não combina nada bem com o estádio...
Para terminar um episódio no Dragão. Não me consigo habituar à malta que me rodeia no meu sector na bancada central do Dragão. Chega a parecer que é um portismo que oscila entre o aburguesado e a crítica pelo mero sabor da crítica. Não gosto, mas vou comendo calado... Ontem, sentia-se a instabilidade crescente da equipa na segunda parte. O público foi ajudando com o seu incentivo em forma de assobio a cada passe em direção a Fabiano. Mas, inversamente, também assobiavam se os defesas jogavam longo e não acertavam na zona de nenhum avançado. Especialistas... Mas o melhor veio quando o Lopes lança Ruben e tira Quintero. O homem já mancava e, assim que saiu, teve de 'ligar' a perna para conter as dores. Além disso, o jogo estava completamente descontrolado mas, mesmo assim, queremos avançados! Queremos Quaresma! Queremos um esquema de 2-2-6! Vamos à vitória Porto! É nestas alturas que eu até aprecio treinadores com o feitio de Lopetegui. Estava-se a marimbar para os assobios e fez o que tinha de fazer. Mas podia ter-se defendido mais ao meter Oliver, mas ele não quer saber. Mas o episódio que queria contar era outro. Perante a assobiadela geral houve três adolescentes que se levantaram à minha frente e, com aquele tom de voz, normal nestas idades e que oscila entre o esganiçado e o quase grosso, gritaram «Portistas de Merda!», para admiração geral. E continuaram virados para trás revoltados com as reacções de gozo e de paternalismo. O portismo destes miúdos é ceguinho e provavelmente acrítico. Mas, sinceramente, eu prefiro um portista que acredita sem saber porquê, do que um portista que critica sem saber porquê...