quinta-feira, 26 de junho de 2014

Os mercados


Como sabem, este tasco cibernético não se ocupa de outros assuntos que não os do FCPorto. Como tal, apesar do desempenho interessante dos nossos jogadores no Mundial, sobretudo Herrera, não me ocuparei muito do assunto em si. Deixo apenas um post curto com duas originalidades que descobrimos ontem e que até poderiam causar algumas dúvidas se houvesse alguma entidade que tutelasse o assunto, tipo CMVM...

1ª Originalidade - Um clube que consegue renovar com um dos seus melhores jogadores a menos de seis meses do final de contrato. Já de si uma originalidade a que se acrescenta o facto de o conseguir vender por quinze milhões de euros passados esses seis meses. Por certo que o clube comprador não conhece a 'lei bosman'...

2ª Originalidade - Um clube que vende um dos seus melhores jogadores, talvez o melhor da última época em Portugal, quase pelo mesmo preço que o comprou há 3 anos, por 30% do valor da clausula de rescisão, sendo que entretanto já tinha alienado parte dos direitos que detinha a um fundo de investimento. Pode ser que o clube que detinha 50% do valor desta transferência acredite que a crise afecta toda gente e que não iriam surgir melhores propostas por este jogador. Ou até podem acreditar que o facto de ele ser titular de uma selecção que joga o mundial com aspirações a ganhar, não o poderá valorizar no próximo mês...

Para terminar, e por falar em Mundial, não posso deixar de recordar a desvalorização que se fez de James Rodriguez no momento da saída do FCPorto, quer por alguns portistas que diziam que a grande perda era Moutinho, quer pelo Trauliteiro Calimero que andava a mendigar uns euros para a causa dos Vasquinhos. A especialidade do artista é mais nádegas...

Adeus Fernando! Vou sentir saudades! Fica um dos melhores momentos do polvo no Dragão.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Reformação



Hoje terminou a temporada das camadas jovens. Já pouco havia a fazer para mudar a tendência negativa. Os resultados foram os seguintes:
- Sub-19 - Juniores - Quarto lugar a sete pontos do primeiro, Sporting de Braga;
- Sub-17 - Juvenis - Terceiro lugar a quatro pontos do primeiro, Vitória de Guimarães;
- Sub-15 - Iniciados - Quarto lugar a onze (?!) pontos do primeiro, Benfica.

Foi uma época muito má e só o desempenho dos juniores promovidos à equipa B fugiu à mediocridade. Já sei que na formação, não podemos olhar apenas para os resultados. Por exemplo, de uma equipa medíocre na formação podem surgir dois novos talentos para o plantel principal e, nesse caso, não poderíamos falar de uma geração perdida. Ainda assim, a cultura de vitória tem de ser treinada e este ano há sinais alarmantes. Poderão reparar que os Campeões de Juniores e de Juvenis ficaram atrás do FCPorto por largas margens de distância nas fases iniciais das respectivas provas. Isto dá-nos a noção de que o FCPorto falhou nos momentos decisivos e isso não é nada bom... Além disso, conheço bem esta geração de sub-19, mas quem os conhece melhor é o treinador Nuno Capucho que os acompanha há quatro anos. Até tem sido raro um treinador acompanhar as equipas na subida de escalão e deveria ser uma vantagem perante os adversários. Por último, 90% do onze inicial habitual dos sub-19 já era titular no ano passado e ainda assim ficámos num péssimo quarto lugar. São dados objectivos que deixo para se reflectir se este ano, mais que falta de talento, o problema não terá passado também pela má orientação técnica. Ao cuidado do regressado Luís Castro...

E por falar em má orientação técnica, eu que me interesso muito pelas camadas jovens e que vou acompanhando também as várias selecções, achei muito estranhas as convocatórias de Emílio Peixe para a Selecção Nacional de Sub-17. A convocatória para o Europeu da categoria incluiu 11 jogadores do Benfica em 18, e apenas 3 jogadores do FCPorto e zero do campeão Guimarães... Pela classificação dessa equipa no campeonato, também na Federação se devem fazer contas. Talvez as meias finais da competição tenham sido escassas para esta geração. Se calhar, planear mais observações a jogadores na zona norte teria dado mais qualidade ao grupo...

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Sete pecados capitais do FCPorto 2013/2014 - O Processo




Vamos terminar esta serie de artigos com o último pecado identificado. Poderá parecer o menos importante mas é, para mim, um claro sinal de má gestão no relacionamento com os adeptos. E isso é grave porque não pode mudar de acordo com a existência ou não de sucesso desportivos.  Estou a falar do processo movido a Miguel Sousa Tavares por causa de um artigo em que se insinua sobre o destino do dinheiro no negócio Ghilas.

Custa falar sobre o caso visto que só tivemos informações por uma das partes do processo, o acusado… Ainda assim, não há dúvidas que o processo existe e que os motivos são na essência aqueles. Vamos ao ponto. Numa temporada horrível como esta, custa perceber que das poucas reações que vimos, uma é contra um adepto conhecido do FCPorto. Revejam lá essas prioridades! Logo aqui o primeiro absurdo.

E depois, relembrando o inesquecível Dr. Pôncio Monteiro, a questão da intensidade. Aqui é fácil de detectar… Foi uma reacção enérgica! Então se compararmos com as reacções perante os ataques constantes que vamos sofrendo, isto é de ‘bradar aos céus’! Dou um exemplo para se comparar: lembram-se da nossa reacção à vergonhosa manifestação do ‘ridículo vasquinho’ antes do Sporting-FCPorto deste ano? Reagimos com uma ‘queixita’ na Liga de Clubes ou na Federação… Em comparação directa em termos de impetuosidade da reacção, temos também por aqui um absurdo completo.

Para terminar, a questão do ‘delito de opinião’. Pouco interessa o conteúdo. Eu até acho que o Miguel Sousa Tavares só tem opiniões sobre futebol que aprecio, quando aborda as ‘politiquices do mesmo’. Em tudo o resto o seu brilhantismo literário redunda numa mera opinião de café, com rigor de um qualquer adepto. É assim há anos. Porque é que a opinião dele incomodou tanto? Logo esta? Há tantas outras iguais ou piores… Este ano recordámo-nos que na única intervenção forte do ano, em entrevista ao Porto Canal, Pinto da Costa teve como alvos a arbitragem, mas também os comentadores portistas. Logo aí achei estranho, mas julguei que era por causa do António Oliveira. No final do ano temos isto. Para um clube que tem uma referência tão clara ao 25 de Abril de 1974, como ponto de viragem na sua história, tentar condicionar a opinião dos adeptos é o absurdo dos absurdos! Ainda mais quando 99,9 % das opiniões são, do mais alinhado possível com o Presidente e com grande parte das suas decisões. Arrisco até dizer que a 100% dos adeptos estão com o Presidente e, quando têm algo a criticar, criticam o treinador, os jogadores e a SAD (entidade oculta fonte de tudo o que é mau no clube). Perante este estado de coisas, qual é o interesse de qualificar as opiniões dos comentadores portistas? Qual é o interesse de contestar judicialmente a opinião de um comentador, por absurda que seja? É para incentivar o ‘carneirismo’? «Até podemos estar todos errados mas o que importa é que estejamos unidos!» Será isso? Esse não é o meu FCPorto!

Cometeram-se muitos erros e é certo que os resultados desportivos expuseram-nos ao máximo. Que não seja uma época para esquecer! É para lembrar e para aprender com os erros cometidos. Queremos o regresso de um FCPorto de combate, mas com alvos bem definidos!

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Sete pecados capitais do FCPorto 2013/2014 - O Interino




Fique claro que não está em causa Luís Castro como treinador. Está em causa o rótulo que lhe aplicaram.

O conceito de treinador interino em futebol é, por si só, um portador de uma ambiguidade que limita o efeito da ‘chicotada psicológica’. O treinador de hoje em dia é cada vez mais um gestor de ânimos e de emoções. Essa gestão vai ganhando cada vez mais preponderância e terreno ao conhecimento táctico e da preparação física. Como poderemos exigir a um treinador que tire o máximo de uma equipa em sub-rendimento se não lhe damos legitimidade para tal? Disse-o aqui: à primeira contrariedade voltaríamos ao mesmo estado em que estávamos com Paulo Fonseca. Não só se cumpriu como, decorrido o efeito da ‘chicotada’, conseguimos agravar os problemas, contando desaires nas competições em que ainda tínhamos aspirações.

Na minha opinião, com a saída de Paulo Fonseca, o ideal seria planear o resto da época como a pré-temporada de 2014/2015. Não que se baixasse o nível de exigência. Simplesmente deveríamos definir com quem contávamos para construir a equipa de 2014/2015, seja no plantel, seja na orientação técnica. A alternativa era a de apesentar uma solução em que fosse assumido que éramos candidatos a tudo o ainda houvesse para ganhar, numa solução de curto prazo. Ora, em nenhum dos casos cabe a solução do treinador interino. Não lhe poderemos pedir que planeie convenientemente uma época em que não irá participar na orientação técnica. Basta perceber, a título de exemplo, que os jogadores que Luís Castro promoveu neste final de época como Reyes, Quintero, etc., poderão não agradar ao novo treinador. Por outro, lado, não podemos exigir a um treinador interino que incuta na equipa a ambição e exigência, que permita retirar da equipa o rendimento máximo e de forma imediata. Até podemos, mas não me parece que essas expectativas sejam realistas... O problema está no treinador a prazo, seja ele Luís Castro ou André Villas-Boas. É uma questão de legitimidade perante os adeptos e perante o próprio plantel.

Com esta solução ficámos a meio do caminho. Por um lado, demos um sinal à equipa de mudança, mas estabelecemos logo que Luís Castro iria ser apenas uma ‘pré-mudança’. À primeira contrariedade a equipa voltou a quebrar. Previsível!

Indiferente à tarefa impossível que tinha em mãos, Luís Castro procurou preparar a nova época. Criou pontes mais definidas entre a equipa principal e a equipa B e começou a renovar o onze mostrando aos adeptos e ao mundo que há ali jogadores que poderão fazer parte do futuro do clube. E fê-lo tentando enquadrá-los num sistema mais parecido ao anterior, sobretudo no desenho de meio-campo. Nem todas as opções foram boas, mas percebeu-se a definição de um rumo e uma ideia de jogo diferente. Não levará uma avaliação positiva porque acabou por fazer piores resultados que Paulo Fonseca. Mas não consigo culpá-lo por isso. Valeu mais a ambiguidade da interinidade do que a objectividade com que ele abordou o desafio. 

Tenho pena porque respeito a figura e o treinador.  Acho que não teve condições para fazer melhor e como tal desprezo qualquer crítica às suas capacidades e repugnam-me associações ao rendimento do projecto ‘Visão 611’. Não é por termos dado um nome ao projecto que me convencem que havia de facto intenção de revolucionar a nossa abordagem à formação portista. Ainda assim, a fantástica performance da equipa B deste ano tem bases no malfadado projecto ‘Visão 611’...

Que fique muitos anos no FCPorto, Prof. Luís Castro!



PS: Este tema foi desenvolvido numa apresentação no âmbito do III Encontro da Bluegosfera no passado Sábado em Espinho. No entanto,  artigo já estava escrito há algum tempo.
 

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Sete pecados capitais do FCPorto 2013/2014 - ‘Luchúria’




Quem ainda se lembrar de Lucho Gonzalez perceberá que o título do pecado não é um erro ortográfico.

Poderemos também relembrar aquele que foi o factor chave que inverteu uma tendência perigosa de irregularidade exibicional que se verificava na primeira época de Vitor Pereira. Em Janeiro entrou o jogador que contava com títulos nacionais em todos campeonatos disputados pelo FCPorto. Trouxe a sua liderança serena e manifestada pela forma brilhante como lê o jogo como poucos o fazem. E o FCPorto foi mudando gradualmente e, mais uma vez ganhou. É óbvio que não foi o único factor a determinar esse desfecho mas não consigo deixar de lhe atribuir a importância máxima nessa época conturbada. O próprio Vitor Pereira reconhece que teve dificuldade em gerir o plantel e são claros os paralelos que podemos traçar com esta época 2013/2014 a esse respeito. Mas este ano seguiu-se um caminho diferente.

Não vou entrar em especulações sobre os motivos da saída. Se o homem só quer dinheiro, se foi empurrado para fora do clube, ou se se teve de escolher entre Lucho e Paulo Fonseca etc.. É impossível fazê-lo sem especular muito. Estas coisas só nos chegam aos ouvidos por rumores inconfirmáveis. Como tal, terei de dizer que, perante o evoluir da época do FCPorto, com as dificuldades que Paulo Fonseca estava a sentir, e dada a depressão em que a equipa estava a mergulhar, não restava outra hipótese senão a de fazer tudo para que Lucho ficasse e para que se sentisse bem. Que sentisse que era parte fundamental da solução e nunca parte do problema. Escolheu-se o caminho inverso e ficámos apenas com uma referência no plantel. Primeiro não servia para '10' posição que ocupava por imposição técnica e depois nem para '8' servia. O capitão sacrificou-se e serviu para todos os experimentalismos tácticos e isso terá de ter contirbuido muito para a sua saída.

Para completar o enredo, Helton lesiona-se passados poucos jogos e foi a derrocada geral. Sem líderes em campo as fragilidades das equipas e dos treinadores destacam-se com uma evidência impossível de esconder. Mas apesar de destacar neste artigo as características de liderança, não significa que ache que Lucho não trazia outros atributos. Já fui dizendo nesta serie de artigos que acho que ele estava subaproveitado no esquema de Paulo Fonseca e, tal como Jackson, perdido em correrias sem sentido. Os médios que ficaram, podem ter atributos diferenciadores como a velocidade, a potência muscular ou alguns pormenores técnicos, mas nenhum lê o jogo como Lucho. Por exemplo, na pressão ao adversário, na provocação do erro e na gestão dos ritmos de jogo. Este Lucho trintão vale por vários Quinteros, Josués, Carlos Eduardos e Herreras… Isto porque estes, para já, e sem orientação técnica conveniente, são jogadores bons, mas que, perante adversidades, ainda não sabem o que fazer. Não antecipam apenas agem ou reagem…

Para mim, tal como o seu regresso há dois anos foi o ponto de viragem, a sua saída este ano foi o ponto sem retorno. Sou suspeito porque é um dos meus jogadores preferidos de sempre no FCPorto, mas a gestão da saída de Lucho contribuiu imenso para a derrocada final. Já nem uma mudança de treinador poderia inverter a tendência descendente.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Sete pecados capitais do FCPorto 2013/2014 – O defeso





Tal como referi no último artigo, a certa altura criou-se uma corrente que dizia que o problema era de jogadores. Faltavam jogadores que dessem à equipa a possibilidade de transformar um sistema medíocre num sistema eficaz. Paulo Fonseca estava seguríssimo e faltava uma opção desequilibradora nas alas, faltava um verdadeiro 10 que fizesse o que Lucho ‘alegadamente’ não fazia e faltava um patrão para a defesa que acumulava erros. Tal implicava obviamente a manutenção dos jogadores nucleares da equipa. O objetivo era salvar a época com o título nacional que estava ao alcance e teria de ser feito um esforço extra para tal.

Logo à partida, de acordo com a estratégia descrita por Angelino Ferreira de crescente redução de gastos e de evolução sustentada da redução da dívida e dos gastos que dela resultam, tornava-se difícil imaginar uma contratação cara e sonante. Se era para recusar todas as propostas por Jackson, Mangala e Fernando… 

Por um lado, não se vendeu ninguém, tendo saído Angelino aparentemente por causa disso. Por outro, substituímos um salário elevado por outro (Lucho por Quaresma) e um elevado por outro menor (Otamendi por Abdoulaye).  Assim, tivemos duas entradas em Janeiro e uma saída. Chegou o ala de qualidade extra e regressou Abdoulaye, muito elogiado pelo Presidente em entrevista ao Porto Canal. Saiu Lucho. O resto teria de se resolver com o plantel existente. Logo aqui dois movimentos contraditórios. Por um lado uma aposta na qualidade e num jogador de créditos firmados para a ala e, por outro, uma opção de risco para a defesa com um jogador que nada provou e para outra para o meio campo. Os jogadores em quem se apostou para substituir Lucho tardavam em provar valor. Uma aposta segura contra duas de risco.

Além disso a própria contratação segura tinha algum risco. Quaresma tem aquele extra de qualidade de que todas as equipas precisam, mas nunca foi um jogador fácil de domar e muito menos quando a liderança técnica não é forte. Além disso, é um jogador para render mais uma ou duas épocas o que tornava a contratação arriscada e desadequada ao nosso modelo de valorização constante do plantel para obtenção de mais-valias. Não costumo compreender estas contratações. Lucho foi uma excepção de sucesso mas, mesmo assim, ‘torci o nariz’ a Quaresma. Julgo que, dadas as circunstâncias e para minha surpresa, Quaresma até trouxe atributos que beneficiaram a equipa e que evitaram um descalabro ainda maior. Não entro nesta corrente, mal intencionada, que dizia que ele traz qualidade mas destrói a equipa. O objectivo era tirá-lo do Mundial e funcionou. Mas confesso que não percebi esta obsessão com o ala. Se a equipa não jogava o suficiente, era por trazermos um jogador que resolve sozinho que se resolveria os outros problemas? Era óbvio que, à primeira vez que Quaresma não resolvesse, viria o resultado negativo. Além disso, se o plantel tinha soluções que chegue para o meio-campo porquê insistir num sistema de alas? Vejam se o Atlético de Madrid, a equipa surpresa da temporada e com o melhor sistema de jogo, jogava com alas? Não digo que teríamos de jogar assim, mas quero apenas dar um exemplo de como o Treinador e o seu sistema devem aproveitar o plantel que existe e não esperar pelos retoques do defeso.

Não me quero alongar muito sobre a opção de troca de Otamendi por Abdoulaye. Posso apenas dizer que é um erro enorme de julgamento de potencial. É raro, mas neste caso os adeptos concluíram bem cedo que a solução era desastrosa e tinham toda a razão. Numa defesa que acumula erros, substituir o único que tem características de ‘patrão’ por um jovem sem provas dadas e que está convencido erradamente que é o Beckenbauer africano, só poderia dar asneira. Por muito que Otamendi não estivesse a fazer uma boa época e por muito que tivesse mercado, não se percebe.


Quanto a Lucho, Desenvolverei em maior pormenor no próximo artigo.